Tarde festiva no Vista Bela
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domingo, 20 de setembro de 2015
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local
Música, poesia e diversas ações solidárias transformaram a rotina de parte dos moradores do Residencial Vista Bela que participaram na tarde de ontem da terceira edição do sarau "Laboratório da Música e Poesia", realizada na Rua Luiz Moro Netto, próximo à creche do bairro. Com parte da rua interditada, crianças e jovens tiveram espaço livre para andar de skate e soltar pipas, que foram distribuídas gratuitamente durante o evento, que tem acontecido a cada dois meses desde o começo do ano. Refrigerante e doces também foram servidos de graça para a diversão do público presente, avaliado em aproximadamente 200 pessoas. A programação incluiu apresentações musicais dos grupos de rap Família IML, Az Mina o grupo de hip hop, Família Pira Pura e de MPB com o músico João Carvalho. O evento ainda contou com sorteio de brinquedos, batalhas de rima, distribuição de roupas usadas (em parceria com os projetos De Bar em Bar, a gente aquece um lar e The Street Store), e doação de livros. Mais uma edição do evento deve acontecer até dezembro.
Idealizada pelo rapper e educador social Leandro Palmerah, a ação faz parte do projeto cultural "Mh2 Música e Hip Hop", que realizou durante seis meses oficinas de música para 20 jovens do bairro. O trabalho conta com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura e foi realizado por Palmerah e o músico João Carvalho, que é professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ensinando a técnica musical por meio de partituras feitas com base nas letras de rap. "O objetivo do projeto é valorizar a importância da educação e ampliar a perspectiva de vida desses jovens por meio da música do rap, que é um tipo de arte que eles gostam muito. O nosso bairro precisa de muita infraestrutura, como escolas e arborização, e essa ação é uma forma de promover também algum tipo de lazer para a comunidade, que reúne 12 mil pessoas. Outro ponto importante é dar visibilidade a aspectos positivos do nosso bairro", destaca Palmerah, que mora no local há quatro anos.
Carvalho aprovou a experiência e conta que saiu enriquecido com a oportunidade de levar o seu curso "A canção e seus sentidos" para esse tipo de público. "A canção, enquanto texto, assim como o rap, traz muita informação e é muito interessante trabalhar isso com eles. É a percepção da cultura descentralizada, o encontro prático de várias culturas", afirma o músico, que está se dedicando à pesquisas de linguagens audiovisuais do hip hop paulistano como tema do seu mestrado.
A auxiliar de limpeza Simone Cristina Roberta, de 37 anos, gostou das roupas que pôde escolher para seus quatro filhos. "É muito bom ter esse tipo de projeto aqui. Já o plantio das árvores depende de mais vontade da prefeitura e mais educação dos moradores em cuidar do que já está plantado. Outra necessidade urgente é uma escola para as crianças e jovens", reivindica. O estudante Matheus Henrique Gardo Szulek, de 14, mora no Jardim Moema, na região Norte, mas fez questão de participar pela segunda vez do evento. "Minha tia mora aqui e sempre venho andar de skate no bairro. Podia ter esse tipo de coisa lá onde eu moro também", afirma. Já o estudante Vítor Hugo Luiz, de 14, que mora há quatro anos no Vista Bela, veio pela primeira vez ao evento: "Estou achando muito legal e adorei que interditaram a rua, assim a gente pode andar de skate com mais segurança. Podiam fazer isso todo o fim de semana", diz.
O projeto conta com os seguintes apoiadores: Biblioteca Pública Municipal Pedro Viriato Parigot de Souza, Rádio UEL FM, Movimento dos Artistas de Rua de Londrina (MARL) e Projeto de Desenvolvimento Integrado e Sustentável de Território (DIST).