Tapumes, correntes, cadeados, fita isolante. As entradas dos prontos-socorros (PS) dos hospitais filantrópicos conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) amanheceram fechadas confirmando a decisão dos médicos que cumprem plantão a distância (acionados em caso de urgência/emergência, de acordo com a demanda) de suspenderem o atendimento devido a falta de repasse dos incentivos (R$ 160,00 de sobreaviso para o período de 24 horas, mais R$ 60,00 pela consulta) e atraso de quatro meses nos pagamentos dos atendimentos feitos pelo SUS. No meio da semana, cerca de 200 médicos plantonistas pediram demissão dos plantões pelo SUS.
Na Santa Casa, as entradas do PS foram lacradas com tapumes. Um cartaz informava que ''em razão da suspensão das atividades médicas, o PS está fechado por prazo indeterminado. O hospital ainda orientava sobre os serviços de saúde disponíveis à população. No Hospital Evangélico, a entrada foi fechada com fita isolante e cadeado. Seguranças esclareciam os usuários sobre os motivos da paralisação. Já no Hospital Infantil, tapume e um banco impediam a entrada de pacientes.
Com os PS dos filantrópicos fechados, a demanda do SUS foi absorvida pelo Hospital Universitário (HU), Hospitais da Zona Norte e Sul, Pronto Atendimeto Municipal (PAM), Maternidade Municipal e Unidades Básicas de Saúde (UBSs). No HU, funcionários entregavam um comunicado informando que somente pacientes encaminhados pelo Siate, Samu e Central de Leitos, que fizeram prévio contato com as equipes do hospital, receberiam o aceite do encaminhamento. Pela manhã, o movimento no PS foi considerado mais tranquilo do que no restante dos dias. Até o meio da manhã de ontem, 68 pacientes estavam internados no PS, que dispõe de 48 vagas.
Os Hospitais das Zonas Norte e Sul também restringiram o atendimento a casos de urgência e emergência encaminhados pelo serviço pré-hospitalar e referenciados pelas UBSs. Usuários de procura espontânea eram orientados a procurar atendimento nas unidades de saúde. ''Temos deficiência de pessoal e equipamentos. Se continuássemos abertos não teríamos condições de atender'', justificou o diretor geral do HZS, Wilson Battini. Pela manhã, os 30 leitos estavam ocupados.

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