Tápias troca comando do BNDES por "incompatibilidade de estilos"
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 23 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, anunciou hoje a substituição do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimeto Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, pelo ex-presidente do Banco Central e do BNDESPar Francisco Gros. Com a troca no comando do banco, o ministro fortaleceu-se no governo ao conseguir apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso para promover a mudança que queria. Ele atribuiu a sua decisão ao que chamou de "incompatibiliade de estilos" entre ele e o ex-presidente do BNDES.
A decisão, porém, não foi um ato isolado, Tápias vinculou a saída de Calabi a uma reestruturação que está promovendo no ministério, embora tenha garantido que não vai substituir outros líderes. "Nenhuma peça da equipe muda, além do presidente do BNDES", afirmou.
Segundo Tápias, Calabi é mais expansivo, mais aberto a declarações à imprensa e a presidência de um banco exige "um perfil um pouco mais baixo, mais discreto". Ele admitiu que sua exposição à imprensa é, em média, menor do que a de outros ministros. "Eu sou mais operador, sou mais um homen e ação, o que me prende mais a gabinetes a contatos com minha equipe e isso em Brasíla pode ser considerado um defeito, eu tento corrigir, mas é preciso entender que meu temperamento é assim". Ele destacou a diferença de estilos entre os dois e disse que seu jeito "discreto" e seu "silêncio" estão relacionados à aprovação.
"Quando não aprovo algo chamo a pessoa e digo o que está me desagradando e o que deve ser feito para mudar", disse. "Dou duas oportunidades, na terceira eu demito", disse. O ministro também não quis deixar lacunas para interpretações de que a saída de Calabi estaria ligada a uma derrota do grupo nacionalista do governo, que quer limitar os financiamentos a empresas estrangeiras e ao qual Calabi faz parte. "As empresas brasileiras sempre foram uma das bandeiras do BNDES e isso será mantido", afirmou.
De acordo com Tápias, a indicação do empresário Roberto Gianetti, no início da semana, para a Câmara de Comércio Exterior (Camex) é parte da reestruturação do Ministério, que tem como base o fortalecimento das ações para a promoção das exportações. Segundo Tápias, a partir de agora, haverá coordenação nas ações da Camex, da Agência Especial de Exportações (Apex), ligada ao Sebrae e sob comando da ex-ministra Dorothéa Weneck, e do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, chefiado pelo diplomata Roberto Jaguaribe. "Serão somados esforços para que a meta de exportar R$ 100 bilhões até o ano de 2002 seja alcançada", disse.
Segundo ele, o BNDES, como braço financeiro dessa coordenação, necessita de uma pessoa que possa estar "muito mais sintonizada e vinculada à personalidade do ministro". Ele garantiu, porém, que a saída de Calabi não está relacionada à maneira com a qual vinha conduzindo o BNDES. "Nada que o doutor Calabi tenha feito me desagradou, se isso tivesse acontecido, eu o teria demitido antes", disse. "A questão é o jeito dele, que é diferente do meu e, no futuro, poderíamos entrar em uma rota em que teríamos pólos opostos", previu.
A questão de estilo pessoal, na avaliação do ministro, está intimamente ligada à formação de uma equipe. "Poderia ter feito algumas trasnformações na chegada ao Ministério, mas preferi conhecer toda a equipe e verificar onde havia empatia e, acima de tudo, colocar o meu estilo pessoal que é diferente daquele de qualquer outro ministro de Estado, que geralmente tem muito mais exposição à mídia", comparou.
Tápias disse que sugeriu o nome de Gros ao presidente Fernando Henrique, de quem recebeu aprovação, há 15 dias, mas que só conversou com Calabi sobre sua decisão na segunda-feira. "Só falei com Calabi na segunda feira, mas coloquei de maneira limpa, digna e respeitosa quais as razões que me levaram a essa decisão, evidentemente ele se surpreendeu, mas eu expliquei a ele os motivos da minha decisão", contou. Ele disse ainda que sugeriu ao presidente que mantivesse Calabi no governo, em uma outra posição.
"O sentimento que tenho é de muito mais empatia com o Francisco Gros, que infelizmente eu não consegui ter com o Calabi, apesar de todos os esforços", desabafou o ministro. Ele disse que a presidência do banco deve ser ocupada interinamente pelo vice-presidente, José Mauro. Gros chegou hoje de Nova York e já se desligou do banco Morgan Stanley, onde ocupava a vice-presidência. De acordo com o ministro, ainda será discutida a posse de Gros, que deverá ocorrer no meio da próxima semana. Segundo Tápias, o estilo de Gros, como o dele, é mais retraído. "A sensação que tenho é que a linguagem fica mais fácil com ele e o conhecimento que ele tem com relação ao mercado internacional e o acesso ao mercado inernacional e a líderes de outros países é um ativo importante", disse.


