Tápias se reúne com representantes da AmBev e Kaiser2/Mar, 19:55 Por Simone Cavalcanti e Renato Andrade Brasília, 02 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, se reuniu hoje, separadamente, com o presidente da Kaiser, Humberto Pandolpho, e com os co-presidentes da AmBev, resultado da fusão entre Brahma e Antarctica, Marcel Telles e Victório De Marchi. A intenção do ministro ao se colocar como interlocutor das cervejarias durante a discussão sobre a criação da AmBev é facilitar um acordo entre os envolvidos. O ministro quer uma trégua nas trocas de acusações entre as cervejarias e evitar que a discussão da fusão seja feita por meio de guerra publicitária ou de forma agressiva nos meios de comunicação. Enquanto recebia os representantes das cervejarias, o secretário-adjunto de Política Industrial do ministério, Reginaldo Arcuri, foi pessoalmente ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para entregar o parecer técnico sobre a fusão. Segundo fontes do governo, o parecer que foi solicitado pela relatora do processo no Cade, Hebe Romano, é favorável à criação da AmBev e pode conter restrições mais brandas do que as sugeridas pelas secretarias de Acompanhamento Econômico e de Direito Econômico. O documento chegou ao órgão em caráter confidencial e só vai ser analisado pelo presidente da autarquia Gesner de Oliveira, depois do carnaval. No final do ano passado, a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), primeira instância na análise de casos de fusão, concedeu parecer favorável à criação da AmBev. No entanto a principal restrição para que a nova holding fosse formada foi a obrigatoriedade de venda de todo o negócio Skol, uma das três principais marcas de cervejas da AmBev. O parecer da Secretaria de Direito Econômico (SDE) seguiu a mesma linha da Seae, mas deixou para que os representantes da nova empresa a opção de escolha do negócio que eles teriam de vender para que a fusão fosse aprovada. O encontro entre Tápias e os representantes das cervejarias não resultou em grandes avanços. Enquanto o presidente da Kaiser, Humberto Pandolpho, afirmou que a intermediação do ministro permitiria fechar um acordo entre as cervejarias, o presidente da Antarctica, Victorio De Marchi, negou haver qualquer possibilidade de acerto com qualquer concorrente antes da decisão final do Cade sobre o processo. "Não é possível aqui um acordo", afirmou De Marchi. "Isso caberá ao Cade discutir", concluiu. Além disso, os representantes da Ambev continuam acusando a Kaiser de ser controlada pela maior companhia de refrigerantes do mundo, a Coca-Cola, e lutar contra a fusão por medo de competir com o Guaraná Antarctica no mercado internacional. Segundo Pandolpho, até agora a AmBev não conseguiu provar nada sobre as acusações. "Fizemos uma interpelação judicial pedindo para que a AmBev apresentasse provas do que diz, mas o prazo venceu na sexta-feira passada e nenhuma documentação foi apresentada", afirmou o presidente da Kaiser. O ministro do Desenvolvimento continuará discutindo sobre os impactos da fusão no setor com representantes de outras cervejarias do País. Segundo Pandolpho, ao final de sua avaliação Tápias poderá elaborar mais um documento com sugestões ao Cade. O presidente da Antarctica ressaltou que essas sugestões serão discutidas previamente com os integrantes do Conselho.