São Paulo, 20 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, disse hoje, em São Paulo, onde esteve reunido com o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, e com o presidente do Sindicato dos Aeroviários no Estado de São Paulo, Uébio José da Silva, que vai esperar propostas concretas das quatro companhias aéreas brasileiras - TAM, Varig, Vasp e Transbrasil - para resolver a crise no setor.
"Não podemos intervir nas companhias, que são privadas, e resolver seus problemas. No entanto, estamos dispostos a receber propostas, em conjunto ou separado, para que possamos resolver a crise da aviação no País", declarou o ministro. A reunião com as lideranças sindicais foi realizada na sede regional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em São Paulo.
Durante o encontro, com mais de duas horas de duração, Tápias reiterou que a comissão criada pelo governo para fazer um diagnóstico da aviação no Brasil deverá apresentar um relatório sobre o setor dentro de 15 dias. "A partir do momento em que o raio-x estiver pronto, vários ministros - Fazenda, Desenvolvimento, Defesa e Trabalho - vão sentar para discutir o que poderá ser feito", declarou. A comissão criada pelo Governo é coordenada pelo secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Milton Seligman.
O ministro admitiu que a situação da aviação no Brasil "é bastante crítica" e não descartou que a fusão das companhias seja uma das soluções para o setor. "Vamos aguardar as propostas das empresas e tentar ajudar. Mas o governo não pode ficar com a incumbência de amparar empresários que por incompetência não foram bem sucedidos", disse.
A missão de tentar reunir propostas dos empresários do setor ficou, após a reunião de hoje, a cargo do presidente da Força Sindical. "Vou procurar me reunir com os empresários, em separado, para pensarmos em uma solução. Em conjunto vai ser difícil porque é bem capaz de sair até morte", disse Silva.
Ele mostrou preocupação, caso uma fusão venha a ocorrer, com a manutenção dos postos de trabalho. A aviação brasileira conta atualmente com 40 mil trabalhadores, sendo 73% de aeroviários (pessoal de terra). O presidente da Força Sindical considerou a reunião positiva.
"O setor é complicado e não esperávamos sair da reunião com o problema resolvido. O bom é que o governo se propôs a discutir a situação das empresas separando o futuro e o passado", disse Silva. Ele explicou que em um primeiro momento o governo se propôs a discutir o futuro da aviação no País e deixar para discutir o passado e a crise das companhias separadamente. "Vou começar a procurar as companhias depois de 1º de Maio. Até lá, só vamos pensar em realizar uma grande manifestação", declarou. Silva disse acreditar que a Vasp é a companhia com maior dificuldade financeira. "A Vasp pode estar na UTI, mas as outras estão no hospital", finalizou.

mockup