Tápias propõe intermediação entre Kaiser e Ambev por sugestão do PT2/Mar, 20:55 Brasília, 02 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, decidiu propor uma intermediação entre as cervejarias Kaiser e Ambev (fusão em curso da Antárctica e Brahma), que estavam numa verdadeira guerra de acusações mútuas nos últimos dias, por sugestão do PT. Segundo assessores de Tápias, ele foi procurado pelos petistas Paulo Delgado (MG) e Antônio Palocci (SP), preocupados com a repercussão de eventual fracasso do processo de fusão sobre o nível de emprego no setor. O líder do PT, Aloysio Mercadante (SP), disse que procurou Tápias como presidente da Comissão de Economia da Câmara, pedindo sua intermediação, porque o ministro administra a pasta responsável pela política industrial do País. A comissão passou ao ministro a posição da maioria dos seus membros, favorável à fusão mediante condições impostas pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A opção pela fusão, segundo Mercadante, deve-se à preocupação com a situação financeira da Antárctica e às perspectivas de conquista de mercado externo para o guaraná brasileiro, que a Ambev viabilizaria. "Endividada, a Antárctica, se não for comprada pela Brahma, será comprada por uma empresa estrangeira", ponderou o líder do PT. Ele disse que a Brahma tem caixa suficiente para honrar as dívidas da parceira. O contato do PT com Tápias aconteceu quando a conselheira do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Hebe Camargo relatora do processo de fusão da Ambev, pediu à secretaria de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, parecer sobre o negócio, há duas semanas. O Cade, pela lei, tem de considerar pareceres das secretarias de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, e de Direito Econômico, do Ministério da Justiça. Nada impede, porém, que busque outras opiniões de órgãos de governo, se considerar necessário. O PT já vinha tentando fazer a intermediação entre as cervejarias, por meio da Comissão de Economia. Acabando a convocação extraordinária, a comissão interrompeu os trabalhos - que só serão retomados em 15 de março - e achou conveniente pedir a Tápias para dar prosseguimento a eles. Já de início, o ministro conseguiu realizar uma das sugestões de Mercadante, de estancar a propaganda acusatória mútua entre as cervejarias. O ministro, assim como a comissão, apóia a fusão, sob condições, como limite de concentração de mercado por Estado (a Ambev venderia unidades que ultrapassassem o limite) e manutenção do controle nacional por 10 anos, já aceito pela empresa e preços mais baixos ao consumidor.

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