Brasília, 14 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alcides Lopes Tápias, prometeu hoje determinar ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que estabeleça "prioridade absoluta" para o fortalecimento da empresa nacional, como maneira de contribuir para eliminar a dívida social. "O Brasil não será jamais um País desenvolvido, em condições de competir no mundo globalizado
se não dispuser de empresas fortes, dispostas a investir nos setores e negócios capazes de propiciar retornos significativos e gerar lucros que estimulem reivenstimentos voltados, inclusive
para contribuir para a eliminação da dívida social que aflige e envergonha todos nós", disse o ministro, durante a posse, no Palácio do Planalto. Tápias pôs-se à disposição do presidente Fernando Henrique Cardoso para a conclusão da reforma tributária
mas deixou claro que o comando da política econômica está nas mãos dos ministro da Fazenda, Pedro Malan.
Numa solenidade de posse disputada por centenas de empresários, Tápias fez um discurso abarcando todos os elementos políticos e econômicos que esperava ouvir a platéia de ministros
governadores e, principalmente, empresários. Com um discurso simples e sem ousadias, ele foi aplaudido, quando afirmou que quer o BNDES por trás da empresa nacional e prometeu ser "um guerrilheiro da reforma tributária". Segundo Tápias, o trabalho vai depender da sintonia entre ele e os demais ministros e, "logicamente, do ministro Malan, na sua qualidade de coordenador da política econômica do presidente Fernando Henrique". Ele também ofereceu a experiência de executivo financeiro para se associar ao presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga Neto, "num grande esforço criativo no sentido de uma irrigação não-inflacionária da economia, reduzindo juros, criando condições de acesso a empréstimos para micro, pequenos e médios negociantes e, mais importante ainda, levando um crédito de custos razoáveis ao consumidor final". As credenciais para ser um ator ativo da reforma tributária, o ministro adquiriu quando fez parte da comissão que elaborou a primeira, e mais polêmica, proposta de reforma tributária, feita pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe), cujo conteúdo integra, em parte, a proposta do relator Mussa Demes (PFL-PI). "Combinei com o presidente que usarei todo o meu conhecimento, minha capacidade de negociação e de trabalho para que a reforma tributária seja definida este ano", disse o ministro. "Não haverá mais espaço para os impostos velhos no novo século, parafraseando o presidente, serei um guerrilheiro da reforma tributária", completou Tápias, que foi corrigido, depois, pelo presidente. "Na verdade, eu disse guerreiro, e não guerrilheiro", esclareceu Fernando Henrique.
Tápias enfatizou a necessidade de cumprir o ajuste fiscal, como condição para o desenvolvimento sério e sustentável. "Divergências absolutas entre monetaristas e desenvolvimentistas já revelam agora uma paisagem mais nítida e cada vez mais caracteriza essa dicotomia como um falso dilema." O novo minsitro deixou claro que não pretende repetir no cargo a experiência do antecessor Clóvis Carvalho, demitido após colidir com Malan. "Não pretendo participar de debates sobre pessoas ou modelo de política econômica e social." Ele promteu procurar agir sempre em equipe, disse estar acostumado a lidar com diferenças de opinião e afirmou estar apoiado na convicção de que as posições divergentes têm de ser resolvidas dentro da própria equipe."Tenho consciência dos problemas que entravam este entendimento, mas considero que a maneira adequada de os resolver não é apontar culpados, mas apontar soluções."
O ministro disse ter estabelecido três diretrizes para o início da ação no ministério. Segundo ele, a primeira será uma a eleição de prioridades. Ele quer ajudar o governo a estabelecer a ordem dos objetivos. A segunda ação, de acordo com Tápias, seria adotar a simplicidade. "Não fui treinado para ser complicado", disse. "Aprendi na vida que a maioria dos problemas complexos tem solução simples." A terceira ação do ministro, segundo ele, será estreitar o relacionamento com o Congresso e o Judiciário. "Pretendo usar ao máximo os canais do governo para entendimentos formais e informais com o Congresso Nacional , os partidos políticos e os quadros dirigentes do Poder Judiciário."
Tápias autodefiniu-se como afável, conciliador , determinado e enérgico, mas independente. "Não tenho medo de assumir posições e defender propostas que resultem do trabalho de equipe", disse . "Também faço questão de ser um homem absolutamente independente." Ele afirmou que a política jamais foi a opção de vida, mas disse que a convivência com políticos foram para ele, sempre, "enriquecedora".

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