Tapias diz que juros só baixam com aprovação das reformas
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domingo, 26 de setembro de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 27 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, confirmou hoje, em Salvador, que somente com o equilíbrio de contas do governo será possível baixar mais ainda a taxa de juros no Brasil. "As reformas da Previdência e Tributária criariam um contexto para se fechar o ano 2000, com uma taxa de juro de um dígito", disse. Mesmo sem declarar explicitamente, Tápias deixou claro que o governo não pretende até o final do ano, baixar a taxa de juro dos atuais 19%.
Ele salientou que a queda nos juros também é fundamental para aumentar as vendas externas, como prevê o Programa Especial de Exportação (PEE), lançado hoje na Bahia. A meta do PEE é dobrar as exportações brasileiras do patamar de US$ 50 bilhões ao ano para US$ 100 bilhões até o ano 2002. "Nossas ações vão desburocratizar todas as medidas que hoje atrapalham as exportações, se possível com geração de novos empregos", disse, explicando que a idéia é criar uma "cultura exportadora", fomentando principalmente as pequenas e médias empresas a vender para o Exterior.
Esse esforço já começa a surtir efeito, conforme Tápias. Entre janeiro e agosto desse ano, 17 dos 59 setores produtivos que exportam no Brasil cresceram com relação ao mesmo período de 98. Os que registraram os maiores índices foram frutas (59%), indústria automobilística (58%), computadores (42%) e carne (35%). No entanto, Tápias lembrou que existe "muito a fazer" por causa da grande concentração que caracteriza o setor exportador brasileiro.
"Apenas sete itens responderam por 30% das exportações do País no ano passado e outros 25 produtos por 59%", informou. As regiões Sul e Sudeste são responsáveis por 83% das exportações do Brasil e 40 indústrias exportaram 38%. Por outro lado, o Nordeste tem pouco mais de 7% das exportações do País. "Vamos usar o Banco do Nordeste e as entidades representativas dos empresários para ampliar essas vendas na região", garantiu o ministro.
Velho companheiro - Depois de discursar no auditório da Fundação Luís Eduardo Magalhães, onde lançou o PEE, em Salvador, Tápias encontrou um amigo de longa data, o ex-banqueiro Angelo Calmon de Sá, que está sendo processado na Justiça Federal pelo desvio de recursos no extinto Banco Econômico. "Deixa eu lhe dar um abraço", falou o ministro, dirigindo-se à poltrona onde Calmon de Sá estava sentado no auditório. "Já vi que agora as coisas vão andar", respondeu o ex-banqueiro, que já foi ministro duas vezes.
Os dois trocaram um caloroso abraço e Calmon de Sá fez questão de demonstrar sua confiança no novo ministro do Desenvolvimento. "É um velho companheiro meu, que conheço há mais de 20 anos", disse, elogiando Tápias. "Ele é um homem extremamente competente, dinâmico, realizador, que adora desafios". Na visão do antigo dono do Grupo Econômico, se o Ministério do Desenvolvimento não funcionar nas mãos de Tápias, "não funcionará nas mãos de ninguém".
Calmon de Sá disse não ter "a menor dúvida" de que com Tápias o Brasil conseguirá alcançar a meta de dobrar as exportações até o ano 2002. "Já fui governo e nunca vi o Planalto fazer um esforço tão sério e criar mecanismos como os que estão sendo criados para ampliar as exportações".


