Brasília, 21 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, disse hope não acreditar que a decisão da Secretaria de Comércio Exterior de suspender a automaticidade dada à importação dos produtos brasileiros tenha criado condições que inviabilizem o Mercosul. Na avaliação do ministro, a necessidade de o Brasil e a Argentina chegarem em bloco às negociações multilaterais que começam no fim do ano (Rodada do Milênio, Alca e parceria com a União Européia) levam o parceiro comercial a tentar forçar o Brasil a ceder nas negociações. "Isso tudo é um processo e é preciso saber negociar", disse.
Para ele, a crise de protecionismo que tomou conta das negociações entre os dois parceiros comerciais desde o início do ano, após a desvalorização da moeda, é "o resultado natural de um processo que está em andamento." Ele acredita que depois das eleições na Argentina o comércio entre os dois países voltará à normalidade. "Nessa fase a gente não sabe bem se o alvo das decisões na Argentina é mesmo o Brasil", disse.
Segundo o ministro, o regime de reciprocidade adotado pelo Brasil "não é algo que tem de existir, mas precisa ser negociado. "Se a Argentina não for ágil para liberar nossos produtos, o Brasil também não deverá ser", disse. Tápias defende que o contencioso entre os dois países por causa das regras impostas aos calçados brasileiros deve ser resolvido pelos empresários de cada país. "Se eles chegarem a um acordo, compete ao governo aceitar". A decisão de suspender a automaticidade de importação para a Argentina foi tomada porque os empresários não chegaram a um acordo para os próximos três meses.

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