Tápias deixará de indicar auxiliares estratégicos
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terça-feira, 07 de setembro de 1999
Por Sílvia Faria e Gecy Belmonte 
Brasília, 08 (AE) - O ministro indicado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, deixará de indicar os auxiliares mais estratégicos na pasta. Na conversa que manteve com o presidente Fernando Henrique Cardoso na segunda-feira (06), ao lado do ministro da Fazenda, Pedro Malan, foi-lhe dito que o atual secretário-executivo, Milton Seligman, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, permanecerão nos respectivos postos.
Seligman conta com amplo respaldo político do PSDB, partido ao qual é filiado, e comunga das propostas desenvolvimentistas do grupo que também tem os ministros da Saúde, José Serra, e da Educação, Paulo Renato Souza, e o secretário-executivo Luiz Carlos Mendonça de Barros. Calabi não é filiado, mas tem assumidas afinidades com o grupo, desde a passagem pelo governo de São Paulo, na gestão Franco Montoro, ao lado de Serra e do ex-ministro Clóvis Carvalho.
O futuro do secretário de Assuntos Industriais, Hélio Mattar, não está definido. Ele gostaria de deixar o cargo, como comunicou a Carvalho. A equipe econômica gostaria de vê-lo substituído, por o considerar um representante dos industriais dentro do governo. Já o embaixador José Botafogo Gonçalves, secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), deverá também ser mantido. Ele conta com apoio político do deputado Delfim Netto (PPB-SP) e é visto pelos colegas como um executivo eficiente.
O projeto do ministério, arquitetado pelo ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, atualmente um dos maiores opositores da política econômica executada pelo Ministério da Fazenda, está voltado para aspectos microeconômicos do crescimento. Na prática, era a política que Carvalho tentou executar, colidindo com Malan e causando a queda. Trata-se de solucionar obstáculos ao crescimento, de forma pontual, sem entrar nas grandes discussões macroeconômicas.
Tanto Seligman como Calabi são representantes desse projeto microeconômico, que tanto atrito provocou no relacionamento das equipes da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Os dois defendem maior flexibilidade no tratamento de questões pontuais por parte dos economistas do governo.
Tápias, conhecido pela habilidade com que toca projetos específicos, sem interferir na alçada da formulação da política econômica, como um todo, terá em Seligman e Calabi importante apoio técnico e político.
Hoje, Calabi disse que a orientação para o BNDES não deve sofrer mudanças com a troca de titulares da pasta. A ênfase permanecerá sendo o apoio à privatização e à reestruturação do setor produtivo.
Atualmente, a instituição está trabalhando no processo de reestruturação dos setores siderúrgico, petroquímico e de papel e celulose. Calabi disse ainda não saber se o BNDES vai participar com recursos, ou apenas apoiando tecnicamente a decisão das empresas.


