Tápias defende associação com estrangeiros para fortalecer setor naval
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2000
Por Gustavo Alves 
Rio, 21 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, defendeu hoje a associação entre empresas estrangeiras e nacionais na indústria naval brasileira. Tápias, que passou o dia no Rio de Janeiro, afirmou que o País tem de se acostumar com a entrada de capital estrangeiro na economia. "Não é um problema de desnacionalização, porque a idéia de nacionalização se perdeu", disse o ministro, ao comentar o grande número de fusões e aquisições desta década.
"À falta de empreendedores brasileiros, temos de dar guarida para empresas do exterior que queiram resolver nossos problemas", afirmou Tápias, sobre as soluções para a crise da indústria naval, no estaleiro Eisa, na Ilha do Governador. No estaleiro, o ministro recebeu um relatório da Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados sobre a construção naval no País, Tápias afirmou que a associação é a atitude "mais sensata" a ser tomada pelo empresários que queiram investir no setor.
"O importante é a reativação do setor naval, seja com capital nacional ou estrangeiro", defendeu o ministro à tarde, na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Ele acrescentou que novos interessados na construção naval seriam apoiados por financiamentos do BNDES - mas desde que tivessem "tamanho" para investir. Ele reconheceu que, no País, falta uma "cultura empresarial identificada" no setor naval.
Segundo Tápias, a entrada do capital externo no País é uma consequência natural. Ele citou o exemplo do setor de autopeças, onde empresas nacionais foram compradas por investidores estrangeiros pelas mudanças da forma de produção de veículos, e não por "culpa" dos empresários brasileiros.
Necessidade de projetos - "O que precisamos são de empresários", declarou, diante de uma platéia formada por representantes dos estaleiros e funcionários, no seu discurso no estaleiro da Ilha do Governador. "É preciso que os senhores apresentem projetos que tenham sucesso e capacidade de repagamento", aconselhou.
Durante o evento no Eisa, o secretário de Energia e Indústria Naval, Wagner Victer, anunciou que o grupo alemão Mengalman está disposto a arrendar parte do estaleiro Verolme, em Angra dos Reis. A outra parte deve ser arrendada pelo estaleiro Fells, de Cingapura, dentro de duas semanas, informou o ministro do Desenvolvimento.
Tápias afirmou que a construção de navios poderá contar este ano com R$ 800 milhões do Fundo de Marinha Mercante, que serão geridos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O dinheiro pertence ao orçamento do Ministério dos Transportes, mas Tápias contou que já conversou com Eliseu Padilha para que os recursos sejam transferidos para o banco.
Importações de equipamentos - Na ACRJ, Tápias reconheceu que a isenção temporária de impostos para importação de cerca de 1,4 mil peças e equipamentos pode causar déficit na balança comercial, pelo aumento das compras externas. Mas o ministro afirmou que estas importações vão significar, a longo prazo, o aumento das exportações.
Tápias também afirmou que a medida não vai comprometer a meta de superávit comercial de US$ 6 bilhões do Brasil neste ano
estabelecida com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas ele disse que não tem dados de qual seria o impacto exato da isenção temporária. "Se você pensar em um horizonte de dois ou três anos, é evidente que no primeiro momento vai gastar mais, mas depois vende o que produziu", analisou.
Privatização - O ministro informou que não defendeu o uso de recursos da privatização das geradoras de energia elétrica para fins sociais. Segundo Tápias, o que ele afirmou ontem é que essa idéia "circula" e deve ser discutida pelo governo. "Enquanto o processo de discussão ocorre, todas as opiniões têm de ser levadas em conta", defendeu.


