Tanque de guerra patrulha ruas de Recife
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terça-feira, 22 de julho de 1997
Agência Folha Recife 
Arquivo FolhaPrejuízoO policiamento feito pelas tropas militares foi mantido ontem, mas o clima de tensão continuou. Em Olinda, a maioria das lojas fechou às 13 horas. Em Recife, alguns estabelecimentos comerciais sequer abriram suas portas Quatro tanques de guerra do Exército transportando equipes especializadas em combate passaram a patrulhar desde ontem as ruas de Recife e Olinda (PE). Os veículos - três Urutus e um Cascavel - circularam nas áreas com maior concentração de agências bancárias e nos principais focos de tensão das duas cidades.
Segundo o Exército, o objetivo foi inibir a ação das gangues e assaltantes que, entre 20 horas de anteontem e 16 horas de ontem, foram responsáveis por 15 homicídios (oito somente em Olinda) e cerca de 200 furtos, assaltos, estupros e arrombamentos na região metropolitana. Outras três pessoas foram mortas no interior do Estado.
As ocorrências, divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública de Pernambuco, referem-se apenas aos dados registrados nas duas únicas delegacias da região metropolitana de Recife que estão funcionando desde o início da greve dos policiais - Boa Viagem (em Recife) e Olinda. Antes da greve dos policiais civis e militares, a delegacia de Olinda registrava, no máximo, dois homicídios e dez ocorrências por dia. Segundo dados da delegacia de Olinda, 80% dos casos registrados pelos plantonistas são denúncias de assaltos e furtos.
Os tanques realizaram duas rondas e priorizaram as regiões centrais de Recife e Olinda. Não houve confrontos e a permanência desse tipo de patrulhamento, ontem, só seria definida hoje de manhã pelo Comando Militar do Nordeste. Segundo o relações públicas da instituição, coronel Italo Forte Azena, a circulação dos tanques serviu também para que o Exército monitorasse o tempo de deslocamento dos veículos nas ruas, em situações de emergência.
O policiamento a pé feito pelas tropas militares foi mantido, mas o clima de tensão continuou. Em Olinda, a maioria das lojas fechou às 13 horas. Em Recife, alguns estabelecimentos comerciais sequer abriram suas portas. Levantamento feito pela Câmara dos Diretores Lojistas, divulgado ontem, revelou que o comércio registrou uma queda de 80% no faturamento desde o início da greve dos policiais militares, há oito dias. A maioria das lojas que funcionou ontem na capital pernambucana foi vigiada por seguranças particulares.
Os policiais militares de Pernambuco reivindicaram ontem ao governo do Estado a garantia de que não serão punidos pelos próximos dois anos por causa da paralisação. A reivindicação foi incluída na pauta de negociação da categoria um dia antes do fim do prazo previsto pelo Código Penal da PM para acusar os grevistas por crime de deserção.
O código, em seu artigo 187, classifica como desertor o policial militar que se ausenta do trabalho, sem justificativa, por mais de oito dias. Até as 18 horas de ontem, representantes do governo e dos grevistas não haviam entrado em acordo para o fim da paralisação.
Eles permaneciam reunidos na Secretaria da Administração do Estado, onde iniciaram as negociações às 20 horas de anteontem. A reunião foi suspensa às 3h30 de ontem e reiniciada às 13h30.


