O município de Tamarana parece compensar seus indicadores sociais ainda modestos com uma autoestima elevada de seus moradores, que somam 13.298 pessoas, segundo o IBGE. Na praça da Igreja Matriz São Roque, nas lojas do comércio, na unidade básica de saúde do centro, não há tamaranense saudoso dos tempos em que a cidade era o maior distrito de Londrina.
A enfermeira Marcele Cristina Furquim, de 28 anos, reconhece os problemas de infraestrutura do posto de saúde onde trabalha e diz que volta e meia presta concurso público na expectativa de trabalhar em centros maiores porque considera o salário "muito baixo".
Mas quando indagada se gosta de Tamarana e se a emancipação política do município foi benéfica para a cidade, a resposta é enfática. "Gosto daqui. Foi aqui que nasci, cresci, me casei e onde meus filhos também nasceram e vão morar", afirma. "Um aspecto positivo da emancipação é que Tamarana ficou mais independente, muitas decisões são tomadas aqui. Tem muito distrito que está praticamente na clandestinidade", analisa.
Sentado no banco da praça, o aposentado Percilio Siqueira dos Santos, de 79 anos, observa o baixo fluxo de carros passando pelas ruas e constata por que nunca sentiu vontade de sair de lá. "Gosto de morar aqui. Acho que é porque nunca me acostumei em morar em um lugar grande", conta. Ele trabalhou a vida inteira como comerciante e deixou o controle da padaria da esquina nas mãos dos dois filhos. Para seu Percilio, o ex-distrito "melhorou muito" depois que se desgarrou de Londrina. "Quando éramos distrito davam pouca atenção para nós", avalia o morador, 50 anos de Tamarana.
A também comerciante Marcele Cristina Marcondes, de 32, formou-se em administração e fez pós-graduação em finanças em faculdades de Londrina, mas optou por retornar a Tamarana para tocar a loja de calçados da família. "Para mim, que cresci aqui, foi melhor retornar. Meu filho estuda numa escola municipal excelente, toda vez que precisei de serviços de saúde fui bem atendida, não tenho do que reclamar. Estou construindo minha casa e pretendo criar meu filho aqui mesmo", afirma. Ela acrescenta que em Tamarana tem mais qualidade de vida e conhece "todo mundo".(D.P.)

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