Tamagoshi é mania entre crianças
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sexta-feira, 18 de julho de 1997
Redação 
Ney de Souza
Amor VirtualA pequena engenhoca eletrônica funciona como se tivesse vida e pede alimento, atenção e carinho. Crianças adoram; professoras odeiamEle não se parece em nada com os bichinhos que costumam encantar as crianças e até adultos. Não é fofinho, não tem uma cara engraçadinha e nem dá para tocá-lo. Mesmo assim, o tamagoshi é sucesso entre adolescentes e crianças.
Olhando, ele lembra um chaveiro. Mas é no visor que está a graça. A pessoa pode acompanhar o desenvolvimento do bichinho.
O tamagoshi vem em dois tipos: um como dinossauro e outro como um pintinho. Assim que o lacre é tirado, aparece um ovo e o bichinho nasce.
Logo depois, o tamagoshi começa a dormir. Nos primeiros dias de vida, o bichinho dorme exatamente onze horas. À medida que cresce, esse tempo cai para nove horas de sono por dia.
Como qualquer criança ou animal, o bichinho inventado pelos japoneses tem temperamento próprio. Quando acorda, ele reclama de fome, sede ou falta de carinho. Daí é preciso acionar uma das funções que vêm no pequeno aparelho e dar o que está pedindo.
Quando ele deseja alguma coisa, começa a dar um sinal que parece um apito. Passando pelas funções dá para saber qual a necessidade do tamagochi. Se o visor mostrar os copinhos de água vazios, ele, então, está com sede. Quando precisa de carinho, aparece uma mão que o acaricia.
O tamagoshi também vai à escola. E a nota que aparece no visor vai depender da quantidade de tempo que ele estudou. Se receber muita comida, ele pode ganhar pesos extras.
A invenção japonesa é na verdade um jogo, onde o objetivo é fazer o bichinho viver o máximo de tempo, um ciclo de 28 dias. E isso, vai depender dos cuidados que recebe. Depois que morre, em seguida, nasce outro e assim vai.
No Paraguai, o tamagoshi original, fabricado no Japão, custa U$ 20,00. Mas nas ruas já é possível encontrar os piratas, por um preço menor.
Bichinho de EstimaçãoNo Japão, onde foi inventado, até creches já foram criadas para o tamagoshi. Enquanto os donos estão trabalhando ou estudando, o bichinho pode ficar num lugar onde recebe cuidados especiais.
No Brasil, a febre não chegou a tanto, mas em algumas escolas da capital paulista, por exemplo, o tamagoshi está proibido de entrar. Como é o caso dos colégios Dante Alighieri e Pueri Domus. Segundo os professores, o bichinho tira a atenção das crianças.
Em Foz do Iguaçu, crianças e adolescentes seguem a moda do tamagoshi. Todos os meus amiguinhos já têm. Por isso, eu também queria um, explica a pequena Isabela Oro Linares, de apenas cinco anos de idade.
A empresária Rita de Cássia Salvatti conta que as duas filhas, Maria Emília de 14 e Manuela de 11 anos, não saem de casa sem levar o tamagoshi. As duas chegam a acordar no meio da noite só para atender as necessidades do bichinho, se espanta a empresária.
As duas têm um outro bichinho de estimação, uma poddle. Esse é mais fácil de cuidar, diz Maria Emília. Onde vou, eu levo o meu bichinho. Eu me apeguei a ele, trato como se fosse o meu filhinho, explica Manuela. Uma vez ele começou a apitar dentro da sala de aula, durante uma prova. O professor tomou, mas devolveu no final da aula. Até a mãe, Rita Salvatti, confessa que se encantou com o tamagoshi. Fiquei impressionada, principalmente com a maneira como ele foi programado.


