TAM vence concorrência especial para levar FHC a Portugal
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 17 (AE) - A TAM venceu a concorrência especial realizada pelo Palácio do Planalto para transportar o presidente Fernando Henrique Cardoso numa viagem a Portugal, entre os dias 7 e 9.
O frete do avião Airbus A-330, com capacidade para transportar 225 passageiros, custará aos cofres públicos R$ 249 mil. A outra proposta foi apresentada pela Varig, que queria cobrar R$ 250 mil para realizar a viagem num Boeing 767.
Com isso, o Sucatão, avião que, tradicionalmente, transporta o presidente em viagens transcontinentais, será "aposentado", depois de 42 anos de uso. A viagem no Boeing presidencial 707 da Aeronáutica custaria R$ 251 mil, sem contar as despesas com pessoal e o pagamento de diárias. Fernando Henrique comunicou que não voaria mais no Sucatão, depois do susto tomado pelo vice-presidente Marco Maciel, em viagem à Europa, em 14 de dezembro.
Essa concorrência valerá apenas para este vôo. A próxima viagem transcontinental, ainda sem data definida, exigirá um novo processo de licitação. Nas viagens à América do Sul e países da América Central - Chile, Uruguai, Costa Rica e Venezuela -, o presidente voará no Boeing 737, que ele considera seguro.
Já se encontra nas mãos do ministro da Defesa, Geraldo Magela Quintão, o estudo realizado pelo Comando da Aeronáutica com as alternativas possíveis para a substituição do Sucatão. O estudo, que ainda não foi apresentado a Fernando Henrique, é considerado sigiloso e inclui desde a opção de frete, aluguel de avião, compra de equipamento novo ou usado.
A alternativa considerada mais viável pelo governo é a aquisição de um novo avião. Como não há recursos disponíveis no Orçamento deste ano, em hipótese alguma, um novo equipamento será comprado esse ano. Enquanto isso, para as viagens intercontinentais, outras seleções de companhias aéreas serão realizadas.
Para a Presidência, o frete foi a solução encontrada porque era inviável reservar apenas parte do avião. A opção de bloquear a primeira classe e a executiva foi desaconselhada porque poderia criar atritos com os outros passageiros, uma vez que todas as bagagens teriam de ser revistadas e identificadas, por questão de segurança. Da mesma forma, quatro banheiros e duas cozinhas teriam de ser interditados para atender a comitiva
o que reduziria a capacidade de transporte de passageiros comuns.
A carta-convite às empresas foi feita pela Casa Civil da Presidência, às três empresas que não estão inscritas no Cadastro de Inadimplentes (Cadin): Varig, TAM e Transbrasil. A Transbrasil não apresentou proposta por não possuir avião à disposição para o período pedido pela Presidência.
O preço do fretamento do avião da TAM inclui desde combustível e pilotos até comissário de bordo. Mas, por questões de segurança, o piloto da Presidência estará a bordo, para acompanhar a viagem. Da mesma forma, o serviço de bordo será conduzido por funcionários do Palácio. O A-330 possui 16 poltronas na primeira classe, todas com divisórias ao lado da cabeça que podem ser postas pelo passageiro para aumentar a privacidade. Todas as cadeiras reclinam a 180 graus. Na classe executiva, são 32 lugares. Embora não possua linha regular para Portugal, a TAM anunciava em Brasília, nos últimos dias, que a a proposta seria imbatível. Mesmo não sendo uma exigência da Presidência, a TAM manterá um avião de reserva para atender a comitiva presidencial, caso haja alguma eventualidade.
Os preços apresentados pelas empresas foram muito abaixo do custo operacional dos aviões. Um vôo num Boeing 767 entre São Paulo e Lisboa custa cerca de US$ 120 mil. Os custos da viagem, no entanto, têm de incluir a ida e a volta, além dos três dias que o avião ficará estacionado no aeroporto. Com isso, o valor real será de pelo menos US$ 200 mil. No caso do A-330, uma viagem entre São Paulo e Lisboa custa um pouco menos, US$ 110 mil.
Mas as empresas asseguram que o que importa é o prestígio que a companhia aérea ganhará por ter sido escolhida para transportar o presidente. Neste caso, há um ingrediente adicional, o presidente pousará na Europa num avião fabricado naquele continente.
Esta não será a primeira vez que o Planalto fretará um avião. O ex-presidente Fernando Collor de Mello fez isso reiteradas vezes, em diversas viagens à Europa e Estados Unidos, assim como o ex-presidente José Sarney.


