Talvane será chamado a depor no caso PC Farias
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domingo, 11 de abril de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 12 (AE) - O secretário de Segurança Pública de Alagoas, Edmílson Miranda, vai convocar o ex-deputado federal Talvane Albuquerque para que explique as denúncias de envolvimento do deputado federal Augusto Farias (PFL) nas mortes de Paulo César Farias e da esposa do empresário, Elma Farias. "Todas as pessoas citadas no primeiro inquérito, voltarão a depor, inclusive o deputado cassado Talvane Albuquerque, que deverá explicar as denúncias que fez sobre as mortes de PC Farias e de sua esposa Elma Farias", disse o secretário.
Miranda disse estar determinado a elucidar as mortes de PC de sua namorada Suzana Marcolino, mortos no quarto da residência do empresário, no dia 23 de junho de 1996, em Guaxuma, litoral Norte de Maceió. O secretário aguarda apenas que o inquérito policial, que será enviado pelo promotor Luiz Vasconcelos, chegue as suas mãos, para que sejam iniciadas novas investigações sobre o caso. "Ainda esta semana divulgo o nome do delegado especial que irá presidir as novas diligências", disse o secretário.
Com 25 anos de experiência na Polícia Federal, Miranda admitiu ser o caso PC um dos mais difíceis de sua carreira. Ele disse ter o apoio do ministro da Justiça, Renan Calheiros, e do governador, Ronaldo Lessa (PSB) para conduzir essa nova fase de investigação com a maior lisura possível. "Vamos cumprir todas as solicitações feitas pelo juiz Alberto Correia de Lima sobre o caso PC", afirmou Miranda. Segundo ele, o novo delegado deverá fazer a reconstituição do crime, ouvir todas as pessoas que estavam na casa no dia da mortes, ouvir todos os ex-seguranças de PC e os legistas que assinaram laudos sobre o caso.
O secretário vai ouvir também o ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, coronel José de Azevedo Amaral, sobre a denúncia de que o perito Gerson Odilon teria sido forçado pelo então secretário de Segurança a assinar um laudo expedido pelo legista Badan Palhares. "Se confirmado que o perito foi induzido a assinar o laudo, o ex-secretário será indiciado por falta de decoro administrativo", garantiu Miranda, acrescentando que se o assassinato do sargento-PM Rinaldo Correia tiver ligação com o caso PC também irá determinar que o delegado especial investigue a morte do ex-segurança do empresário.
Segundo o secretário, por enquanto a morte do sargento-PM Rinaldo, segurança do PC, está sendo investigada pela polícia como "um crime ocasional". Rinaldo foi assassinado com três tiros no dia 2 de abril, na favela do Conjunto Joaquim Leão, periferia de Maceió. Para o médico legista George Sanguinetti, a morte de Rinaldo é "queima de arquivo para intimidar os demais ex-seguranças de PC". "Não vamos entrar nessa polêmica, o importante, agora, é descobrir por que o sargento Rinaldo foi assassinado", disse Miranda.


