Talvane é preso em Brasília e transferido para Alagoas
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quarta-feira, 07 de abril de 1999
Por Mariângela Galluci, Liege Albuquerque e Hugo Marques 
Brasília, 08 (AE) - Cerca de 12 horas após ter o mandato cassado pela Câmara dos Deputados, o ex-deputado Talvane Albuquerque (PTN-AL) foi preso hoje pela Polícia Civil e transferido para Maceió, onde responderá a inquérito pela tentativa de assassinato do radialista Alves Correia, ocorrida em 1993 na cidade de Arapiraca, em Alagoas. A suspensão do mandato de Albuquerque foi publicada hoje no Diário da Câmara dos Deputados, tornando possível a sua prisão. O ex-deputado também é apontado como o autor intelectual do assassinato da deputada Ceci Cunha (PSDB-AL), morta a tiros em dezembro passado.
"Vamos responsabilizar e punir, é isso o que cobra a sociedade", afirmou o ministro da Justiça, Renan Calheiros. Segundo ele, o assassinato de políticos em troca de uma vaga no Congresso poderia abrir um precedente "terrível" para a política brasileiro e, por isso, o crime deveria ser apurado com rigor. "Não se pode confundir imunidade com impunidade", acrescentou. "A presença do Talvane na Câmara estava incomodando os alagoanos", declarou o deputado Helenildo Ribeiro (PSDB-AL), segundo suplente da vaga deixada por Ceci Cunha.
Decretado na noite de quarta-feira, o pedido de prisão preventiva do político foi renovado hoje para que Talvane Albuquerque pudesse ser levado pelos policiais. O traslado do ex-deputado foi acompanhado pelo delegado da Polícia Civil de Alagoas, Jobson Cabral Santana, responsável pelo inquérito aberto para apurar o atentado contra o radialista. Ele veio à Brasília especialmente para essa operação e informou que ainda não foi definido em qual prisão do Estado Talvane Albuquerque ficará preso. "Só quando o Supremo Tribunal recomeçar o processo sobre a morte da deputada Ceci Cunha (PSDB-AL) é que a Polícia Federal entrará no caso", explicou o delegado.
O advogado do ex-deputado, Emanuel Lima, afirmou hoje que a revogação do pedido de prisão já estava sendo articulada em Alagoas. O advogado Aiberê Arruda foi encarregado de apresentar ação, com base no artigo 74 da legislação estadual que estabelece o privilégio de fóro como uma das prerrogativas dos políticos lá eleitos. Por essa norma, Talvane Albuquerque só poderia ser preso e julgado em Alagoas. "O meu cliente não ficará muito tempo preso", prometeu Lima. A idéia é convencer a Justiça de que a prisão do ex-deputado em Brasília foi ilegal.
Talvane Albuquerque não reagiu à prisão. Ele foi preso hoje de manhã em sua casa e passou o dia trancado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, à espera de sua transferência para Alagoas. A operação que culminou na sua prisão teve início na noite da quarta-feira, logo após o anúncio da cassação do mandato de deputado pela Câmara. Um grupo de agentes da Polícia Federal foi destacado para um plantão no apartamento do deputado
mas não houve tentativa de fuga.


