Talidomida: de vilã do passado a esperança do futuro?
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terça-feira, 26 de julho de 2011
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
Londrina - No último dia 24 de julho completou um mês que começou a vigorar a nova resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o uso do medicamento Talidomida. A portaria prevê um maior controle na prescrição e distribuição do remédio, bem como mudanças na embalagem, a fim de evitar que apareçam novos casos da Síndrome da Talidomida, também conhecida como focomielia.
Atualmente, o medicamento não é mais vendido em farmácias comuns. É disponibilizado apenas em programas do Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de doenças como hanseníase, aids e lúpus.
Amplamente utilizada no final da década de 1950 em todo o mundo como ansiolítico, a Talidomida também foi muito receitada para gestantes a fim de amenizar sintomas de enjoo e náusea. A comercialização do medicamento, porém, foi suspensa poucos anos depois devido aos resultados de má formação dos membros em bêbes cujas mães tinham feito seu uso. O Brasil foi um dos únicos países a voltar com a prescrição do medicamento e, desde então vários casos de vítimas da Talidomida surgiram no Brasil. O Último nascimento registrado em Londrina acometido pela focomielia foi no início dos anos 90.
Dados da Associação Brasileira dos Portadores da Síndrome da Talidomida (ABPST) apontam para 394 casos oficializados da primeira geração (antes da suspensão) em todo o País. O mais preocupante, no entanto, é que outros 221 - 214 da segunda geração e 7 da terceira - foram registrados após o conhecimento do efeito devastador do medicamento.
Levantamento feito pelo Ministério da Previdência Social indica que 651 pessoas recebem atualmente pensão por serem portadores da síndrome. Destas, 41 são do Paraná - sete de Londrina.
Segundo a presidente da ABPST, Claudia Maximino, a hanseníase foi responsável pela quase totalidade da síndrome dos nascimentos das gerações posteriores. ''Infelizmente, pela falta de conhecimento, de preparo e de cuidados de todos os agentes de saúde no País, é que estes casos surgiram. São pessoas que não podiam ter nascido assim, porque o mundo todo conhecia os resultados do medicamento que foi, inclusive, retirado do mercado'', comenta. De acordo com ela, o último caso registrado no Brasil foi em dezembro do ano passado no Maranhão.
Mudanças
Antes da resolução da Anvisa, a embalagem da Talidomida vinha com o desenho de uma gestante com uma tarja. Apesar da distribuição controlada, muitas mulheres, sugestionadas pela imagem, tomaram o remédio pensando que ele tivesse poder abortivo. A embalagem foi modificada com outro desenho, dessa vez o rosto de uma mulher com a tarja, seguido de um texto com a proibição para mulheres em idade de ter filhos. A medida, no entanto, não foi considerada suficiente para alertar sobre os perigos do uso indevido.
Diante disso, uma das mudanças com a nova resolução é que a bula contenha a foto de uma criança acometida pela síndrome juntamente com mais informações dos efeitos colaterais, além de avisos em destaque na caixa.


