Cabul, 29 (AE-AP) - O movimento Taleban, que controla quase todo o Afeganistão, ameaçou nesta quarta-feira (29) forçar a partida do país do Airbus da Indian Airlines em poder de sequestradores, caso as conversações entre eles e o governo indiano não cheguem logo a uma saída pacífica.
"Nossa exigência para ambas as partes é que não desperdiçem tempo e encontrem uma solução política", afirmou o chanceler do Taleban, Abdul Wakil Muttawaki. "Se o governo indiano não aceita as condições dos sequestradores, nosso próximo passo será pedir a eles que deixem o Afeganistão ou, então, nós os forçaremos a fazer isso." O Taleban também ameaçou na segunda-feira invadir o aparelho se os extremistas maltratarem os reféns.
O governo indiano não deu sinais de que pretende ceder nem atribuiu importância ao fato de os piratas aéreos terem retirado duas de suas exigências para soltar os 154 passageiros e tripulantes mantidos reféns desde a sexta-feira, quando eles desviaram o avião da rota Nepal-Índia.
Os sequestradores desistiram de pedir a devolução do corpo de um combatente caxemir enterrado em território indiano e US$ 200 milhões. Essa última condição teria sido abandonada após intervenção de líderes do Taleban, que manifestaram consternação pelo pedido de dinheiro, segundo a emissora de tevê Star News, da Índia, e também solicitaram a redução das reivindicações para acelerar o desfecho. O islamismo não considera digno pedir dinheiro em troca de reféns.
Os extremistas continuam exigindo, porém, a libertação de 35 militantes caxemires presos na Índia, entre os quais o líder espiritual islâmico Maulana Masud Azhar. Do contrário, ameaçam explodir o avião. Azhar é acusado de ser o ideólogo do grupo Harkat-ul-Mujahedin, que luta pela independência da Caxemira indiana e sua posterior unificação com o Paquistão.
O Harkat voltou a negar hoje estar implicado na ação. Mas a Índia assegura que os terroristas são quatro paquistaneses, um nepalês e um afegão, e acusa o Paquistão de estar por trás do sequestro.
Autoridades indianas não se manifestaram sobre suas intenções e, aparentemente, pretendem continuar mantendo uma posição intransigente em relação às negociações com terroristas. "Estamos analisando as exigências na sua totalidade. Não estamos preocupados com sua quantidade", disse o ministro de Assuntos Parlamentares, Pramod Mahajan, depois de uma reunião do gabinete de governo.
Hoje se completaram seis dias de cativeiro desde que o grupo de homens mascarados - cinco ou seis - forçou o piloto do Airbus a seguir para a cidade indiana de Amirtsar, logo após decolar da capital nepalesa, Katmandu. Em seguida, eles seguiram para o aeroporto de Lahore, no Paquistão, onde o avião pousou mesmo sem a autorização das autoridades.
Tentaram então ir para a capital do Afeganistão, Cabul, mas os dirigentes do Taleban ordenaram que as luzes do aeroporto fossem apagadas. Como não havia condições de pousar no local por instrumentos, o avião fez escala numa base militar perto de Dubai, nos Emirados árabes Unidos. Lá, eles libertaram 27 pessoas, na maioria mulheres e crianças, e entregaram o corpo de um indiano morto a facadas pelos extremistas. O avião seguiu então no sábado para Kandahar, no sul do Afeganistão.
A maioria dos passageiros é indiana. Há também nepaleses, europeus, um norte-americano, um japonês, um canadense e um australiano. Soldados talebans levaram a bordo hoje mais remédios e alimentos. Um médico indiano que se encontra entre os reféns está atendendo os doentes, segundo um porta-voz da Cruz Vermelha Internacional.
O governo indiano fez preparativos para um possível desenlace positivo. De acordo com funcionários governamentais, o Aeroporto Indira Gandhi, de Nova Délhi, aguarda a chegada de 15 ambulâncias e 150 outros veículos para transportar os reféns. Várias clínicas da cidade estão em estado de alerta. O primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee está sob intensa pressão dos militares, contrários a concessões, e dos parentes dos reféns.

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