Take 4 do discurso
Brasília, 19 (AE) -
O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, me auxilia de uma maneira decisiva nesta matéria. Tem me auxiliado de uma maneira decisiva com lealdade, com competência, com firmeza. Mas o Palácio precisa, ao mesmo tempo, de alguém que tenha a capacidade de trânsito nas distintas forças partidarias, que tem o ministro Aloysio. Que possa, aqui dentro do Palácio, articular essa ação para que, na relação com os líderes partidários, com os líderes de governo e com a estratégia definida por mim, pelo ministro Pimenta e por ele, nós possamos unidos, articuladamente, tomar as decisões, que são necessárias, sobre as reformas que estão no Congresso, sobre as políticas novas, que vão ter que ser transformadas em projeto de lei e que irão ao Congresso. Elas devem ter mais velocidade, mais articulação e mais apoio. É essa a função do ministro Aloysio Nunes Ferreira.
Não preciso me referir ao fato de que o ministro Aloysio e eu somos conhecidos de longuíssima data. Somos conhecidos desde o exílio. Somos conhecidos de cooperação no nosso antigo partido, o PMDB. Somos conhecidos de momentos vários na nossa trajetória. E a confiança que deposito nele é uma confiança de companheiro, como a confiança que deposito no ministro Pimenta da Veiga.
Há, portanto, aqui, um reforço nas ações politicas do governo, para que possamos chegar a bom termo no conjunto de propostas que temos.
Desculpem-me por ter, talvez, me excedido ao falar. Mas a posse é coletiva e eu não queria deixar de dizer alguma coisa sobre cada um dos que, momentaneamente, se afastaram - isso vale para todos, como daqueles que se juntam a nós.
Termino por lhes dizer, sobretudo aqueles que são membros dos partidos que aqui estão, que, nessa difícil - porque sempre é dificil - tarefa de reorganização de um Ministério, os partidos que me apoiam, todos, todos tiveram a compreensão do momento. Todos, insisto. Sobretudo, os partidos cujas posições foram mais afetadas que o meu próprio partido e o PMDB. Por pequenas que sejam as mudanças, pode parecer que afetam. Foram compreensivos. Entenderam os desafios que o presidente tinha. Entenderam também que o presidente precisa da base partidária, não para ele, mas para o país. E quando alguém pede lealdade ao país e ao seu programa não está pedindo que as pessoas não tenham compromissos com seus partidos. Está dizendo que os seus partidos são leais ao país, são leais ao presidente, porque foram apoiar na votação e, portanto, são leais a um programa.
Há uma mudança, talvez, de acento, de tônica. E essa vai continuar. A mudanca que vai continuar, que é a mudança de tônica, é que nós, hoje, estamos todos sentindo que o Brasil está pronto para alçar um vôo maior. O Brasil não se compraz mais ao ver discussões menores prejudicando os projetos maiores.
Por sorte, os partidos que me apoiam tiveram essa compreensão, nesse momento. Estarão em erro os que imaginarem que os dias de decisão foram dias de aflição por pressões indevidas ou mesmo devidas. Nao foram. Foram dias, eu até diria, de uma compreensão respeitosa de que o Brasil precisava mudar mais depressa, exigia do presidente certas ações. O presidente tinha que tomá-las. Ele as tomou e espera continuar contando com o apoio da base, porque não é um apoio para mim. É um apoio para o país, para que sigamos adiante nas modificações de que o Brasil precisa.
Também peço à oposição que, ao tomar nota do que estamos fazendo, tenha a certeza de que estamos fazendo isso pelo país e que os meus ouvidos estão sempre abertos, a minha mão está sempre estendida. Só não posso aceitar -pelo menos, não é o caso daqueles que eu gostaria de ver mais próximos - só não posso aceitar o golpismo. Só não posso aceitar a vontade de desrespeitar a decisão do povo. Só não posso aceitar a utilização da infâmia como arma política. Mas a crítica da oposição aberta, como arma necessária para a política, não só posso aceitar. Devo aceitar.
E, como fiz desde que fui reeleito, reitero: estou disposto a que, por meio dos meus ministros ou pessoalmente, possamos continuar discutindo este projeto do Brasil, que é o de um Brasil sem crianças no trabalho penoso, com mais gente na escola, com melhor atendimento à saúde, com mais reforma agrária, com estabilidade econômica, com honestidade e decência na vida publica, que são absolutamente necessários. É um Brasil, portanto, que tem um projeto para si mesmo. E, se tem um projeto para si, a oposição ou é parte crítica desse projeto ou está contra o Brasil.
Muito obrigado." (fim)





