Taipé, 21 (AE-AP) - Taiwan tentou hoje (21) amenizar sua controversa nova política para com a China, evitando referências explosivas como "dois Estados" e assegurando a Pequim que não modificará sua Constituição ou qualquer outro documento-chave para inserir sua nova visão de relações com o continente.
Ao mesmo tempo, o governo de Papua-Nova Guiné anunciou hoje que não manterá mais relações diplomáticas com Taipé, dias depois de ter reconhecido oficialmente a ilha, considerada por Pequim como uma província rebelde.
Apesar de continuar a enfurecer Pequim com a insistência de que os contatos bilaterais deverão ser mantidos com o status de "Estado a Estado", Taiwan decidiu desistir de algumas expressões que foram consideradas em Pequim e em Washington como provocativas.
O porta-voz do governo, Chen Chien-jen, disse hoje que o gabinete decidiu, após debater por vários dias, que iria derrubar algumas expressões que incluem: "dois Estados", "duas Chinas", "uma China, dois Estados", "uma nação, dois países" e outras similares que sempre foram usadas publicamente por alguns funcionários.
"Não queremos de forma alguma criar confusão ou desentendimento. Achamos que as relações especiais Estado a Estado são boas o suficiente", disse Chen.
Enquanto aguardam que representantes dos Estados Unidos cheguem à ásia para ajudar a dissipar a crise entre a China e Taiwan, as autoridades taiwanesas disseram que em breve darão a Pequim sua palavra final sobre como Taipé caracteriza atualmente suas relações. O porta-voz taiwanês disse que o principal negociador com o continente, Ku Chen-fu, está preparando o que disse ser a última palavra de Taiwan sobre a polêmica criada depois que o presidente Lee Teng-hui declarou no dia 9 que as negociações com Pequim deveriam ser realizadas de "Estado a Estado".
Taiwan sustenta que sua mudança de atitude somente reflete a realidade política, que se desenvolveu desde que ambas partes se separaram em 1949, após a guerra civil, e insiste que a aceitação de Pequim ao novo status é um primeiro passo para a eventual reunificação.
O governo de Pequim congratulou-se com Papua-Nova Guiné ontem por sua decisão de desistir de manter relações diplomáticas com Taiwan, tomada pelo novo chefe de governo, Mekere Morauta. Seu antecessor renunciou ao cargo depois de ter sido acusado de reconhecer Taiwan em troca de um empréstimo de US$ 2,3 bilhões. Taiwan indicou que esperava ajudar Papua-Nova Guiné a resolver seus problemas econômicos, mas desmentiu que o acordo tenha sido "uma diplomacia do dólar".
Ainda hoje, o Pentágono anunciou que estava adiando uma visita, programada há vários meses, de especialistas militares a Taiwan, que devia servir para avaliar as necessidades de defesa da ilha. O porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhart, disse que não se estabeleceu uma nova data para a visita dos especialistas militares e esclareceu que de modo algum a medida pode ser relacionada com os rumores de que os EUA decidiram suspender as provisões militares a Taiwan por causa da crise com a China. Lockhart lembrou que em breve uma delegação americana seguirá para Pequim e Taipé com o objetivo de assegurar a manutenção do diálogo entre os dois governos.

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