Taipé, 22 (AE-AP) - Desafiante, Taiwan ignorou hoje (22) a ameaça de invasão lançada na segunda-feira pela China e reivindicou energicamente sua identidade como Estado autônomo. De acordo com uma declaração publicada hoje (22) pela chancelaria taiwanesa, ambas partes devem reconhecer seu direito de interpretar o que se entende por uma só China.
A chancelaria destaca que Taiwan é desde 1912 um Estado soberano e, portanto, tem o direito de manter relações diplomáticas com outros países.
Pela primeira vez a China ameaçou usar a força se Taiwan continuar adiando por tempo indefinido as conversações sobre a reunificação. O governo taiwanês já havia advertido que Taiwan só se unirá ao continente quando a China for democrática e economicamente avançada.
Desde que os nacionalistas estabeleceram um governo em Taiwan, após perder a guerra com os comunistas em 1949, o regime chinês ameaçou várias vezes invadir a ilha, mas só em caso de declaração de independência ou de interferência militar estrangeira. Pequim busca uma reunificação de Taiwan usando o mesmo método - de "um país, dois sistemas" - adotado com a ex-colônia britânica de Hong Kong, devolvida à soberania chinesa em 1997, e com a ex-colônia portuguesa de Macau, devolvida no ano passado.
O governo chinês reiterou hoje sua ameaça de usar a força contra Taiwan e destacou que a unificação é uma questão urgente que não pode ser arrastada indefinidamente. A primeira vítima da ameaça de invasão foi a bolsa de Taiwan, que chegou a cair 3,2% arrastando Hong Kong e outros mercados da ásia.
Os Estados Unidos, por sua vez, exortaram hoje a China a adotar o caminho do diálogo pacífico com Taiwan e rejeitaram o uso da força. "Acreditamos no diálogo pacífico. Um compromisso bilateral é o único meio para avançar. Nós veremos com inquietação qualquer posição ameaçadora contra Taiwan", declarou o porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhart.
Rejeitando os argumentos de funcionários americanos que visitaram Pequim na semana passada, o governo chinês pediu hoje aos EUA que parem com os testes de seu sistema de mísseis antibalísticos e com os planos para a criação de um sistema de defesa nacional ou regional. Washington vem estudando a criação de um sistema de defesa para proteger os EUA e seus aliados de ataques inimigos. E a China teme que Washington possa ampliar o sistema antimíssil para proteger Taiwan.
A ameaça chinesa ocorre há poucas semanas das realizações das eleições presidenciais de Taiwan. Nenhum dos candidatos concorda com a reunificação segundo as exigências de Pequim, nem questiona a posição a respeito do atual presidente, Lee Teng-hui, segundo a qual Taiwan é um Estado independente e soberano.
A China tentou influenciar as primeiras eleições presidenciais diretas de Taiwan, em 1996, realizando testes de mísseis perto da ilha nacionalista. Os taiwaneses acreditam que Pequim tentará interferir nas eleições de 18 de março e consideram as ameaças chinesas um primeiro passo nesse sentido.
Mais de 20% dos eleitores ainda estão indecisos e as pesquisas de opinião apontam o candidato independente James Soong na liderança com 27% das preferências, seguido por Chan Shui-bian do Partido Democrata Progressista (formação partidária da independência de Taiwan), com 23%, e de Lien Chan do Kuomintang, o partido governista, com 21%.

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