Paris, 21 (AE) - Taiwan, essa pequena ilha de 36 mil quilômetros e 22 milhões de habitantes, situada a 150 quilômetros da China continental, comunista, escolheu sábado seu presidente da república. Uma eleição de alto risco, porque desde 1949 a enorme China continental não aceita a recusa de Taiwan de voltar ao seu regaço.
Ora, Taiwan acaba de escolher o pior dos candidatos, aos olhos de Pequim.
Embora desde l949 a ilha tenha sido governada pelo Kuomintang, criado por Chiang Kai-shek, os taiwaneses elegeram um homem novo: Chen Shui--bian, cujo partido - o Democrata Progressista (PDP), favorável à independência - recomenda uma "secessão" aberta em relação a Pequim.
Portanto, Chen é o "animal negro" de Pequim. A prova: durante a campanha eleitoral, a China popular não cessou de trovejar contra Chen e seus "partidários da independência", profetizando que se ele fosse eleito presidente, então se poderia esperar incidentes armados no Estreito de Formosa (entre o continente e Taiwan).
As ameaças de Pequim não surtiram efeito. Mais ainda: muitos acham que favoreceram Chen, pois os taiwaneses desejavam mostrar aos senhores da China comunista que a política de intimidação não funciona.
Houve por isso certa inquietação quando se soube da vitória do candidato "independentista". Será que Pequim iria colocar seus obuses, seus aviões e suas fragatas no mar da China? Até agora, nada disso aconteceu.
O novo eleito teve o cuidado de "retirar as minas" do terreno com a maior rapidez: Chen explicou que desejava um "diálogo completo" com Pequim. Convidou os dois chefes da China popular, Jiang Zemin e Zhu Rongji, a virem a Taipé, capital de Taiwan. Tem até o plano de enviar a Pequim um de seus amigos taiwaneses (que talvez será seu primeiro-ministro), o ganhador do Prêmio Nobel de Química, Lee Yuan- Tsé, muito respeitado em Pequim.
Do lado da China comunista, não se ouviu "o ruído das botas". Silêncio, talvez constrangido, talvez ameaçador, não o sabemos. Pequim limitou-se a relembrar que a eleição de Chen "não pode mudar em nada o fato de que Taiwan faz parte da China".
Como explicar essa moderação? O novo presidente justificou sua "meia-volta", dizendo que, de agora em diante, "é presidente de todos os taiwaneses e não mais o chefe de um partido político independentista". Além disso, Chen lembrou Pequim que algumas linhas não devem ser ultrapassadas. Por exemplo, se a China popular quisesse impor a "unificação", então Chen faria um plebiscito para confirmar a separação entre "as duas Chinas" (Pequim se opõe inteiramente a esse plebiscito). A idéia de Chen parece ser esta: de forma alguma Taiwan quer se deixar engolir pela China comunista, mas, por outro lado, a ilha deseja multiplicar o intercâmbio com a China continental.

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