Tai Chi Chuan beneficia cadeirantes
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domingo, 10 de agosto de 2008
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Melhora da concentração, da percepção corporal e da respiração são alguns dos benefícios alcançados com a prática do Tai Chi Chuan. Mas uma pesquisa inédita que está sendo realizada na Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina, busca ainda mais: mostrar como essa arte marcial pode ser benéfica mesmo com um público bastante especial, cadeirantes que movimentam apenas tronco e braços.
O objetivo, segundo a fisioterapeuta e professora Viviane de Souza Pinho Costa, uma das coordenadoras da pesquisa, é avaliar melhora de aspectos como a respiração, o equilíbrio do tronco na posição sentada, a movimentação dos membros superiores e o aumento da movimentação articular. ''A idéia é que o Tai Chi Chuan consolide o processo de reabilitação desta população'', explica. Para isso são aplicados testes e questionários, antes e depois da atividade, e ao longo do tempo.
Viviane conta que a atividade começou como um projeto de extensão à comunidade, de forma multidiciplinar entre os cursos de fisioterapia e educação física. Mas, os benefícios já percebidos no dia-a-dia de atendimento levaram à pesquisa. ''A resposta é rápida. Os alunos já relatam que se cansam menos de ficar sustentando os braços em atividades em casa ou no trabalho, e que têm menos dores e tensão'', afirma a fisioterapeuta.
A coleta de dados começou há pouco mais de um mês e até outubro deverão ser tabulados. Hoje, participam das aulas e da pesquisa sete alunos - pessoas com lesão medular que encontram-se paraplégicas ou tetraplégicas em decorrência de acidentes de trânsito, ferimento de arma de fogo, quedas de altura e mergulho, entre outros.
Segundo Viviane, são comuns outras atividades físicas para cadeirantes, como basquete, tênis e natação, por isso a escolha por uma proposta inovadora. Ela explica que a fisioterapia é rotina no tratamento desses pacientes, o que acaba se tornando repetitivo. Daí, a idéia de uma atividade física alternativa, que trabalha a relação entre corpo e mente.
O professor do curso de educação física Mário Molari, também coordenador da pesquisa, lembra que as principais características dessa prática milenar são os movimentos lentos e suaves, a respiração pausada e a extrema concentração. E ressalta que o Tai Chi Chuan, como qualquer outra arte marcial, também foi criada para o combate, para proporcionar concentração e calma na hora de enfrentar um obstáculo ou um desafio.
E é justamente isso que traz os benefícios. ''A prática do Tai Chi envolve aspectos sociais, psicológicos e motor. Fazer os movimentos, de forma lenta e contínua, trabalha também o cognitivo, além do físico. Traz benefícios para a respiração, para a musculatura, desenvolve a parte afetiva e o aluno leva o auto-controle para outros aspectos da sua vida'', aponta Molari, ressaltando que mesmo sem trabalhar os membros inferiores, os alunos, cada um dentro do seu limite, executam a técnica original.
E é por conta dessas outras características do Tai Chi Chuan que outro objetivo da pesquisa é buscar dados qualitativos, avaliando a repercussão da prática na qualidade de vida do aluno. A expectativa, segundo eles, é que as respostas, além de física, sejam sociais e psicológicas.
''Você aprende que tem um limite do corpo a ser respeitado, mas também ganha mais confiança para se movimentar''
''O mais importante aqui (nas aulas) é a interatividade, o trocar experiências com pessoas com o mesmo problema''
Serviço:
As aulas de Tai Chi Chuan para cadeirantes estão abertas para participantes. Inscrições e informações na Clínica de Fisioterapia da Unopar, pelo telefone (43) 3371-7816.


