Rio, 01 (AE) - O fato de a expectativa de vida ter aumentado vai reduzir o fator de cálculo da aposentadoria, de acordo com a nova fórmula aprovada pelo Congresso, admite o presidente do IBGE, Sergio Besserman. Os técnicos do instituto apontam, no entanto, que é de menos de seis meses a diferença - para mais - entre a expectativa média de vida estimada na Tábua da Vida de 1995, utilizada pelo governo nos exercícios para o cálculo das aposentadorias, e a divulgada hoje, com as projeções de 1998.
Besserman não quis falar sobre o assunto. "Nós somos responsáveis pela tabela de expectativa de vida, mas o cálculo das aposentadorias é feito pelo Ministério da Previdência Social", afirmou. Na verdade, a divulgação da tábua todos os anos, em dezembro, passou a ser obrigatória porque é um dos elementos do cálculo das aposentadorias - o chamado fator previdenciário. A tábua mostra a expectativa de vida a partir de 0 até 80 ou mais anos.
Nas infindáveis discussões sobre a reforma da Previdência foi utilizada a expectativa de vida da tábua de 1995
a última até então oficialmente divulgada pelo IBGE. O presidente do IBGE negou que o governo tenha encomendado a nova tabela e explicou que o instituto faz a tábua todo ano, até agora usada para consumo interno. A de 1995 foi publicada e passou a servir de referência oficial, segundo ele, porque era a que estava estatisticamente mais correta. "Foi a que enviamos para o debate da reforma porque tínhamos total segurança de seus dados, o que não acontecia com as de 1996 e 1997, que foram feitas de forma abreviada (em vez de idade por idade, por grupos de cinco)", disse.
A escolha do mês de dezembro para a divulgação da tábua do ano anterior foi feita, segundo Besserman, para que o cálculo incluísse todas as pesquisas que costumam ser divulgadas ao longo do ano, como a PNAD. Desta forma, os trabalhadores vão definir se querem se aposentar tendo como referência a expectativa de vida do ano anterior - o que é uma vantagem, embora pequena: de acordo com os técnicos do instituto, a expectativa de vida cresce cerca de dois meses, em média, a cada ano.

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