Rio, 04 (AE) - O tabagismo provoca prejuízo anual de R$ 1,2 bilhão aos cofres do governo federal. Segundo levantamento do Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) paga R$ 3 4 bilhões por ano em medicamentos e internações de pacientes com câncer de pulmão, doenças cardiovasculares e outros males relacionados ao vício do fumo. A receita com a arrecadação de impostos federais gerados pelas indústrias do setor, porém, é menor - R$ 2,2 bilhões.
Os dados foram divulgados hoje à tarde durante o encerramento do 1ª Simpósio Internacional sobre Tabagismo, no Rio, promovido pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), do Ministério da Saúde, Associação Médica Brasileira (AMB) e Federação Mundial do Coração (FMC). "Se somarmos a essa conta o número de óbitos provocados pelo cigarro em pessoas em idade produtiva, entre 30 e 40 anos, esse prejuízo será muito maior", afirmou o cardiologista Mário de Camargo Maranhão, presidente recém-eleito da FMC.
Carta - Durante o evento, as três entidades divulgaram a Carta do Rio, documento com 13 pontos para reduzir o tabagismo no Brasil, que será enviado aos presidentes da República, Fernando Henrique Cardoso, do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL), e ao ministro da Saúde, José Serra.
Na carta, as entidades pedem ao governo, entre outras medidas, a proibição da veiculação de anúncios publicitários de cigarros nos meios de comunicação, inclusive outdoors, e do patrocínio de eventos culturais e esportivos; o redirecionamento de subsídios governamentais dados ao cultivo do fumo para outras atividades agro-industriais; e incentivo e monitoramento pesquisas nacionais periódicas sobre o consumo do tabaco e seus derivados no País.
"O governo federal, historicamente, sempre manteve uma posição tímida frente ao combate ao tagabismo", disse o presidente da AMB, Antônio Celso Nassif. "É preciso, não apenas vincular essa luta ao Ministério da Saúde, mas a todos os setores do Estado; trata-se de uma política de governo". Nassif
porém, estende a responsabilidade da luta contra o fumo e seus derivados também à falta de iniciativa por parte das empresas privadas e da sociedade organizada. Ele cita, por exemplo, a recente campanha publicitária televisiva contra o tabagismo, realizada pela AMB.
Os oito filmes, com 30 segundos cada, voltados para combater o vício do cigarro entre os jovens só conseguiram veiculação gratuita na rede pública TVE, do Rio de Janeiro. Os comerciais foram produzidos pelo Departamento de Saúde de Massachussets, nos Estados Unidos, e traduzidos pela AMB. "As emissoras privadas se recusaram passar os filmes", lamentou. "Se os partidos políticos nos cedessem pelo menos um tempinho dos seus espaços gratuitos na tevê para transmitir o filme, já seria uma grande ajuda no combate ao tabagismo".
Atualmente, segundo o Ministério da Saúde, o Brasil é o 6º maior fabricante de cigarros do mundo e o 4º maior em produção de tabaco, com 450 milhões toneladas por ano. Em 1990, foram produzidos 10 bilhões de cigarros. Sete anos depois, esse número cresceu sete vezes. De acordo com pesquisa do cardiologista Aloysio Achutti, assessor da Câmara Técnica sobre Tabagismo do Inca, o fumo brasileiro é responsável pelas mortes de aproximadamente 240 mil pessoas no mundo por ano. No Brasil, esses óbitos chegam a 80 mil.

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