Tabagismo: principal causa de morte evitável
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de agosto de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Dez mil pessoas morrem todo dia no mundo em decorrência de doenças causadas pelo uso de tabaco. São 4,9 milhões de mortes por ano, 200 mil apenas no Brasil. Todos estão cansados de saber que o fumo faz mal à saúde, tanto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o tabagismo como a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Ainda assim, um terço da população adulta, o correspondente a 1,2 bilhão de pessoas no mundo, continua fumando.
No Brasil, grande parte da população também fuma. Estima-se que 24% sejam fumantes, sendo 11,2 milhões de mulheres e 16,7 milhões de homens. Para piorar a situação, pesquisa realizada entre 2002 e 2003 junto a escolares de 12 capitais brasileiras revela que entre 31% a 58% dos estudantes já haviam experimentado cigarros. Cerca de 90% dos fumantes ficam dependentes da nicotina entre os cinco e os 19 anos de idade e, segundo a pesquisa, o Brasil tem hoje 2,4 milhões de fumantes nessa faixa etária.
O grande problema é o alto grau de dependência causada pelo tabaco. Estima-se que por volta de 85% das pessoas que fumam se tornam dependentes do cigarro. ''O cigarro é uma das primeiras drogas a serem usadas pelas pessoas e, como é uma droga lícita, causa rapidamente dependência física e psicológica, além de abrir caminho para outras drogas mais pesadas'', alerta o psicólogo Dionísio Banaszewski, presidente do Conselho Estadual Antidrogas.
No Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado hoje, o alerta sobre os problemas com o fumo tornam-se necessários. Caso as atuais tendências de expansão do seu consumo sejam mantidas, esses números, segundo estimativas mundiais, aumentarão para 10 milhões de mortes anuais por volta do ano 2030, sendo metade delas em indivíduos em idade produtiva (entre 35 e 69 anos). O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima, ainda, que este ano mais de 25 mil pessoas serão diagnosticadas, no Brasil, com câncer de pulmão.
Paralelamente ao aumento no consumo de cigarros observado nos últimos anos, detecta-se também uma elevação da mortalidade por doenças crônico-degenerativas, como o câncer, hipertensão, diabetes, entre outras. ''O cigarro tem cerca de 5 mil componentes. Quando o indivíduo inala, aquilo vira uma usina, responsável por danos pulmonares que vão desde um câncer pulmonar, até um enfisema pulmonar, uma bronquite crônica'', diz o médico pneumologista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Roberto Pirajá Araújo.
É o que se chama de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), problema que ocorre em 95% dos casos em fumantes. Segundo ele, experimentos feitos em 30 mil pessoas no País pela Sociedade Brasileira de Pneumologia, no ano passado, mostrou que 25% eram portadores de DPOC , em geral fumantes. O pior, segundo ele, é que como trata-se de uma doença degenerativa, ela continua se desenvolvendo mesmo que o paciente pare de fumar.
Ele lembra, ainda, outras doenças causadas pelo cigarro. ''As substâncias causadas pelo cigarro desencadeiam um proceso de arteriosclerose'', explica. Com isso, o fumante torna-se mais suscetível a ter problemas como um enfarto ou um derrame cerebral, por exemplo.


