As pesquisadoras argumentam que o uso do tabaco ''mascarado'' no narguile, pode ser uma forma de introduzir o jovem, ou quem nunca fumou, ao tabagismo normal. A exposição ao tabaco, explicam, pode ativar o centro de dependência química no cérebro, que algumas pessoas têm. E ainda há casos em que a ''essência'' do narguile é trocada pela maconha.
''O primeiro estudo sobre os malefícios do cigarro comum foi divulgado em 1964 e na época as pessoas usavam o cigarro da mesma forma que hoje se usa o narguile'', aponta Ana Luiza, lembrando que mesmo o fumante passivo tem o risco de câncer no pulmão aumentado em duas vezes.
O grande ''engano'' segundo elas, é que como no narguile a fumaça não é tragada, as pessoas acham que não há prejuízos. Mas, a exemplo do charuto, o tabaco é absorvido pela mucosa oral, e isso também é causa de câncer oral. ''Cerca de 95% dos casos de câncer na cavidade oral são causados pela nicotina não fumada'', cita Andréa.
''O narguile acaba ficando com 'boa' reputação, porque é uma peça bonita, decorativa, usada para reunir a família e não há advertência sobre os perigos, como na embalagem do cigarro'', afirma Andréa, lembrando ainda que como o objeto é passado de ''boca em boca'', há o risco de transmissão de doenças contagiosas, como herpes, hepatite e tuberculose.
Na embalagem da ''essência'' usada no narguile há apenas uma mensagem em inglês. ''Alerta de saúde: fumar é a principal causa de câncer e doenças no pulmão, e de doenças do coração e arteriais''.
As profissionais ressaltam que, desde 2003, um tratado universal de saúde pública da Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu uma série de ítens que diz respeito ao tabagismo, como o controle e a restrição de propagandas do produto, além de ações educativas.
''Vivemos um momento importante no controle do tabagismo e é preciso alertar as pessoas para essa forma 'disfarçada' de uso, que é socialmente aceita. Alguns pesquisadores afirmam que o narguile tem menos efeito que o cigarro normal, mas a OMS não recomenda nenhuma forma de tabaco, todas tem prejuízos. O alerta que a gente faz é que é possível buscar outras formas de socialização'', afirma a cirurgiã-dentista.(C.P.)

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