Curitiba- Representantes da matriz da empresa suíça Syngenta participarão de uma reunião neste final de semana, em São Paulo, para discutir a desapropriação da fazenda da empresa em Santa Tereza do Oeste (24 km ao sul de Cascavel). Segundo Renê Dotti, advogado da Syngenta no Brasil, nesse encontro os diretores decidirão quais medidas vão tomar a respeito da expropriação, anunciada pelo Governo do Paraná no início da semana.
De acordo com o Decreto Estadual nº. 7.487, foram declaradas de utilidade pública, para fins de desapropriação, as áreas de terras rurais e as benfeitorias sobre elas existentes da Syngenta em Santa Tereza do Oeste. As justificativas do Governo do Paraná foram ''a significância e a fragilidade do maior e mais importante remanescente da floresta estacional semidecidual do país, constituído pelo Parque Nacional do Iguaçu'', localizado perto da fazenda, e ''a necessidade de implantar na região (...) uma área de pesquisa, ensino e extensão voltados ao desenvolvimento de modelos agrícolas sustentáveis''.
Organizações não-governamentais manifestaram apoio ao Governo do Paraná e alegaram que a Syngenta realiza experiências com transgênicos na fazenda. A empresa argumenta que esse trabalho está dentro da lei.
O procurador geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, afirmou ontem que o Governo do Paraná realizará uma avaliação ''o mais rápido possível'' para definir o valor da expropriação. ''Acho difícil que o pagamento seja feito amigavelmente, a julgar pelas manifestações da empresa e do seu advogado. Será, então, feito judicialmente'', disse Lacerda.
Ontem, Dotti comentou que acredita que haverá uma intensa disputa jurídica. ''Entendo que cabe não apenas mandado de segurança, mas também ação civil pública, por parte do Ministério Público ou de alguma associação com mais de um ano, e ação popular, em razão de possíveis danos ao patrimônio público. O Estado tem outras áreas para desapropriar, mais adequadas ao fim de estabelecer um centro de pesquisa, e que onerariam menos o Estado'', afirmou Dotti.
''Além disso, se no futuro o Estado for condenado a uma indenização, o pagamento sairá dos cofres públicos. A decisão do governo foi arbitrária e vai causar prejuízos ao Estado. Diante dessa insegurança jurídica, as empresas não vão querer investir no Paraná'', argumentou o advogado.

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