Suzane se encontra com o irmão. Ele a perdoa
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quinta-feira, 14 de novembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Por onde passavam, havia uma multidão a gritar: ''Assassinos!'' Ontem, na mesma casa no Campo Belo, zona sul de São Paulo, Suzane Louise, seu namorado, Daniel Cravinhos de Paula e Silva, e o irmão dele, Christian, fizeram a reconstituição do assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, pais da universitária. A volta ao local do crime dos autores do assassinato que chocou o País mobilizou policiais, jornalistas e muitos curiosos.
A reconstituição serviu para esclarecer ''pontos obscuros'' relacionados pela polícia, após a confissão do crime. Até as 19h40, haviam sido confirmados os principais pontos das versões apresentadas em interrogatório pelos três acusados.
Andreas Albert, de 15 anos, estava na casa e perdoou a irmã. Abraçaram-se, conversaram, deram-se as mãos e choraram. O filho mais novo dos Von Richthofen, chegou à casa, já cercada por policiais civis do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), sem dizer nada e ficou esperando a irmã e os outros dois presos pelo crime.
Circulou pela residência e viu quando Suzane entrou, com os cabelos cobrindo o rosto, escoltada por um policial. Nesse primeiro momento, de acordo com a polícia, eles não tiveram contato.
Suzane, que havia sido agredida na chegada por pessoas que cercavam a casa, chorava e tinha as mãos algemadas nas costas. Os policiais levaram-na para o quarto de empregada, para que não tivesse contato com os outros acusados do crime antes da realização da reconstituição do delito. O objetivo era evitar que combinassem suas versões.
A jovem ficou sozinha durante algum tempo no quarto. Depois, pôde reencontrar o irmão, na presença de um investigador, que os ficou vigiando. Era a primeira vez que Suzane via alguém de sua família desde a confissão.
Na cela que divide com uma outra presa, Suzane escrevera no fim de semana um bilhete para o irmão, pedindo o seu perdão. Ela o entregou para um amigo do pai. Andreas recebeu o bilhete e escreveu outro, perdoando-a.
Após o crime, o rapaz foi morar com um tio, Miguel Abdalla, irmão de sua mãe, que obteve a guarda provisória. Ele está sendo acompanhado por um psicólogo.
Perdão - Ontem, Andreas deixou claro, na frente da irmã, que a perdoava. Os dois permanaceram juntos por cerca de três horas. Foram separados quando Suzane teve de contar sua versão do crime aos peritos criminais do DHPP.
Ao confessar o crime, ela disse que abriu a porta da casa para que o namorado e o irmão deste entrassem, com barras de ferro, e matassem seus pais, que dormiam no quarto do casal, no piso superior do sobrado da família. Enquanto isso, Suzane aguardou dentro de seu Gol amarelo, estacionado na garagem, e circulou pelos cômodos térreos do sobrado.
Além dos policiais, promotores e advogados, estava na casa a escritora Ilana Casoy, especialista em livros sobre histórias de assassinos em série. Esteve no local também o criminalista Alberto Zacharias Toron, contratado pela família.


