A Prefeitura de Londrina anunciou ontem a suspensão do edital para segunda fase de reforma do Calçadão da Avenida Paraná, orçada no valor máximo de R$ 350 mil. A medida atendeu solicitação do Observatório de Gestão Pública (OGPL), oscip criada no final do ano passado por representantes da sociedade civil organizada e que, desde o começo de 2010, analisa procedimentos licitatórios do poder público. A entidade apontou supostas irregularidade no edital, no qual haveria itens com valores superiores aos praticados no mercado local.
Pela análise do Observatório, chamou atenção a cotação de três itens que serão necessários para revitalizar o espaço público: 18 bancos, 29 grelhas de concreto para as árvores e 14 lixeiras. Mesmo a primeira etapa da reforma, entre as ruas Hugo Cabral e Pernambuco, finalizada em abril passado ao custo de pouco mais de R$ 430 mil, teria indícios de superfaturamento. O banco de concreto que orçado a R$ 1.812,50 a unidade, por exemplo, foi comprado pela vencedora da primeira etapa, a Visatec, por R$ 1.517,19. A oscip pesquisou e encontrou o mesmo item, em Londrina, por valores entre R$ 200 e R$ 350. Já as lixeiras, a cotação do Executivo fica novamente muito além: R$ 937,50, ao passo que pela Visatec custou R$ 714,48 - o OGPL achou na cidade por no mínimo R$ 200, e, no máximo, 438.
De acordo com o vice-presidente do Observatório, Fábio Cavazotti, os preços pesquisados em relação ao primeiro edital subsidiaram não apenas um pedido de auditoria em relação à primeira etapa, quanto à suspensão do novo edital, há pouco mais de 30 dias. A Prefeitura ainda não respondeu o pedido de auditoria. ''Nossa intenção é ver de que forma podemos ajudar a Prefeitura a sanar eventuais falhas ainda em âmbito administrativo'', disse Cavazotti.
O prefeito Barbosa Neto (PDT) afirmou: ''Estamos suspendendo (o edital) por um erro de confecção. Não há corrupção e não existe má-fé''.

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