Suspenso de novo projeto de construção de Colégio Militar
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Por Rogério Wassermann 
São Paulo, 28 (AE) - O projeto de construção do Colégio Militar em São Paulo foi suspenso pela segunda vez. Depois de a Prefeitura abandonar o projeto, o Exército foi obrigado também a desistir, pelo menos por enquanto, de construir por conta própria o colégio com o dinheiro da venda de metade do terreno que abrigaria originalmente o empreendimento, numa área nobre do Ibirapuera, na zona sul.
A licitação para a venda do terreno, anunciada em novembro, não se concretizou por impedimentos legais. A concorrência foi suspensa três dias antes do prazo de entrega das propostas (fim de novembro), com 58 editais já vendidos, por interferência direta do governador Mário Covas.
O lote foi doado pelo Estado em 1971 com a condição de ser usado exclusivamente para fins militares. Para que fosse vendido a empreendimentos comerciais, como queria o comando do Exército, seria preciso rever a lei que autorizou a doação, o que só a Assembléia pode fazer.
A idéia do Exército era vender uma área de 55 mil metros quadrados, com frente para as Ruas Tutóia e Manuel da Nóbrega, por no mínimo de R$ 51 milhäes e erguer o colégio num terreno do Campo de Marte, zona norte, por R$ 48 milhäes. Na outra parte do lote do Ibirapuera, de 65 mil metros quadrados, devem ser construídos dois prédios com residências para oficiais.
Alternativas - Segundo o general Joélcio de Campos Silveira, comandante da 2.ª Região Militar, o Exército estuda alternativas para o impasse. A primeira seria negociar, com o governo, a revisão da lei de 1971 ou a troca da área por outras em poder do Exército na região metropolitana para possibilitar a venda. "Temos algumas áreas que interessam ao Estado para a construção do Rodoanel."
O comandante militar do Sudeste, general Liscínio Nunes de Miranda, chegou a reunir-se com o governador no início de dezembro para tratar do assunto, mas as negociaçäes foram interrompidas quando Covas foi internado para a extração da bexiga.
A segunda opção, mais provável, é a venda de outros terrenos do Exército no Estado para bancar a construção do colégio no Ibirapuera. "O Exército tem áreas possíveis de ser vendidas em Itu, Campinas, Barueri e Osasco", diz Silveira.
Segundo o general, não existe a possibilidade de o terreno do Ibirapuera ser retomado pelo Estado, como prevê a lei de 1971, caso não seja dada a ele uma destinação militar. "Devolver não vamos." Para o general, a importância do projeto deve sensibilizar o governo. "São Paulo é a única grande capital que ainda não tem um Colégio Militar."


