Paris, 19 (AE-REUTERS) - Foram suspensas hoje (19) as tortuosas conversações de paz sobre Kosovo e o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, pediu a líderes do Congresso para darem apoio bipartidário a ataques aéreos da Otan contra sérvios iugoslavos.
"Acho que iremos bombardear em breve", afirmou o senador Joe Biden, um democrata no Comitê de Relações Exteriores do Senado, depois de sair de um encontro mais cedo com Clinton em Washington.
França e Grã-Bretanha, co-presidentes das conversações de aproximação entre a Iugoslávia e albaneses étnicos em Paris, anunciaram que era inútil continuar e que as negociações só poderão ser retomadas se Belgrado apoiar um plano de autonomia para a rebelde Kosovo.
Depois de semanas de crescentes confrontos na província do sul da Sérvia, dois dias de nevascas abafaram atividades militares, com apenas alguns poucos casos isolados de confrontos sendo noticiados hoje entre forças de segurança iugoslavas e guerrilheiros albaneses étnicos do Exército de Libertação de Kosovo, que tem combatido Belgrado há um ano.
O ministro do Exterior francês, Hubert Vedrine, disse que o fracasso das negociações, onde albaneses étnicos assinaram unilateralmente o plano de paz na quinta-feira, fez acelerar uma pré-organizada rodada de consultas entre membros da Otan. Ele não disse quando tempo isto levará.
O presidente da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Knut Vollebaek, afirmou que o grupo iria retirar seus 1.400 observadores desarmados de Kosovo depois do fracasso das conversações.
A Rússia anunciou que aceitava a decisão, mas entendeu que a medida será temporária e esperava que os observadores voltassem em breve.
O enviado americano Christopher Hill, mediador chefe nas negociações, previu o aumento das tensões por causa de Kosovo.
"Eu iria apertar os cintos de segurança nos próximos dias", disse ele à REUTERS. "Não temos um verdadeiro prazo final (para os bombardeios da Otan), mas as coisas vão ficar muito tensas nos próximos dias".
Vollebaek, da OSCE, que é também o ministro do Exterior da Noruega, afirmou que a situação de segurança tornou-se muito ruim, acrescentando que a Sérvia tem garantido a ele que não iria tentar impedir a partida dos observadores.
Num comunicado de Vedrine e de seu colega britânico, Robin Cook, foi dito: "As negociações estão adiadas. As conversações não serão retomadas a menos que os sérvios expressem a aceitação deles aos acordos".
"Advertimos solenemente às autoridades de Belgrado contra qualquer ofensiva militar em campo e qualquer impedimento para a liberdade de movimento e de ação dos observadores (da OSCE)".
"Tais violações teriam as mais graves consequências".
Belgrado respondeu à suspensão das conversações com um pedido por uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para suspender as ameaças de bombardeios por parte da Otan e a retirada das tropas da aliança atlântica da Macedônia, noticiou a mídia iugoslava.
Em Bucareste, os ministros do Exterior da Romênia, Bulgária, Turquia, Grécia e Macedônia reuniram-se por três horas e divulgaram um comunicado pedindo à Iugoslávia para assinar rapidamente o plano de paz.
Cinco delegados albaneses étnicos viajaram para o quartel-general da Otan em Mons, Bélgica, a fim de tomarem conhecimento dos planos da aliança para uma missão de paz na província deles.
A Grã-Bretanha, Alemanha, Bélgica e França seguiram o exemplo dos Estados Unidos e avisaram a seus cidadãos para saírem da Iugoslávia.
Hill disse que os Estados ocidentais não tinham planos de enviar qualquer delegação para Belgrado nos próximos dias para conversações de última hora com o homem forte da Iugoslávia, o presidente Slobodan Milosevic. Mas uma fonte próxima à delegação sérvia disse à REUTERS que Belgrado espera a visita de algum enviado ocidental.
Vedrine afirmou à rádio France Info que a Otan iria agora promover uma série de consultas, primeiro entre os membros da aliança no Grupo de Contato e o secretário-geral Javier Solana, e então entre Solana e todos os membros da Otan.
Divergindo da dura posição do Ocidente contra Belgrado, a Rússia - um aliado tradicional de seus companheiros eslavos na Sérvia - afirmou que as conversações ainda podem ser salvas e reiterou sua oposição a ataques da Otan.
"As conversações foram suspensas por enquanto, mas temos de usar este tempo para redobrar nossos esforços para encontrar uma solução política pacífica em Kosovo", disse o porta-voz do Ministério do Exterior russo, Vladimir Rakhmanin, em Moscou.
Rússia é o único integrante do Grupo de Contato que não faz parte da Otan. Também fazem parte do grupo os Estados Unidos, França, Grã- Bretanha, Alemanha e Itália.

mockup