A decisão de nove laboratórios de suspender temporariamente o reajuste nos preços de alguns medicamentos - atendendo a apelo feito pelo ministro da Saúde, José Serra - tem efeitos práticos nulos, segundo o presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF) do Distrito Federal, Antonio Barbosa da Silva.
‘‘O recuo foi retórico, porque os laboratórios não enviaram nenhum comunicado às farmácias’’, diz. Com isso, segundo ele, a maioria está vendendo todos os remédios pelos novos preços. Os laboratórios, no entanto, garantiram na semana passada ter informado as farmácias sobre sua decisão.
‘‘É impossível para o balconista, na hora da venda, verificar quais produtos da lista são dos laboratórios que voltaram atrás e ainda ir buscar a lista anterior quando for o caso’’, diz Silva.
Silva considera ‘‘cínica’’ a afirmação do presidente da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma), José Eduardo Bandeira de Mello, de que farmácias e distribuidores estão boicotando os genéricos.
‘‘Os laboratórios simplesmente estão pondo em prática as orientações registradas na ata da reunião que 21 dessas grandes empresas promoveram no ano passado só para decidir formas de sabotar os genéricos’’, acusa, lembrando que a divulgação do documento motivou a instauração da CPI dos Medicamentos. ‘‘Não é verdade que os distribuidores não querem vender genéricos; o que ocorre é uma orientação dos laboratórios para não tê-los no estoque’’, completa Silva.
Na sua opinião, caberia à indústria organizar a distribuição dos genéricos. ‘‘É simples produzir uma lista com o nome de todos esses produtos e dos laboratórios que distribuem cada um deles’’, afirma. ‘‘O difícil é o farmacêutico localizar cada um em uma lista com 4 mil produtos.’’
Segundo ele, a maioria das distribuidoras não confeccionou folhetos específicos para os genéricos e, as que os fizeram, acabaram enviando menos de um terço do pedido, alegando que não há estoques. (S.B.M.)

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