Suspensa vistoria do Incra na região de Bagé, RS
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quarta-feira, 01 de dezembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 1 (AE) - O superintendente interino do Incra no Rio Grande do Sul, Eduardo Freire, disse hoje que as vistorias nas propriedades rurais já notificadas na região de Bagé serão suspensas amanhã (2) para uma reunião com os proprietários e trabalhadores rurais interessados no processo de reforma agrária no Estado. Ele afirmou que assumiu o lugar de Paulo Emílio Barbosa para "distender" a situção de crise na região e "promover as vistorias sem que os ânimos se acirrem".
Segundo Freire, Barbosa foi exonerado por causa de "incompatibilidades" com a administração central do Incra. Freire reconheceu que "pode" ter havido pressões dos proprietários rurais na exoneração, mas negou qualquer ingerência do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, na decisão.
O superintendente interino disse que a negociação sobre as vistorias vai continuar e admitiu que as vistorias podem ser suspensas temporariamente mais uma vez. De acordo com ele, a portaria que estabelece os índices de lotação pecuária para a região, publicada hoje no Diário Oficial, abre a possibilidade de negociar o tamanho dos "conjuntos" de propriedades que serão vistoriadas antes da seleção das áreas passíveis de desapropriação pelo critério de progressividade até 0,8 unidade animal por hectare.
Freire afirmou que já fez contato com o presidente da Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul, Carlos Sperotto, e pretende falar com os dirigentes do Sindicato Rural de Bagé. O local da reunião amanhã ainda não está definido.
Ingerência -O ex-superintendente regional do Incra no RS
Paulo Emílio Barbosa, atribuiu sua exoneração à "ingerência do Ministério da Agricultura em assunto que não é de sua competência". "Só posso atribuir (a exoneração) à ingerência do ministro Pratini de Moraes, que tem interlocutores no Rio Grande do Sul, que queriam a minha saída", afirmou.
Segundo Barbosa, sua saída deveu-se a pressões de segmentos que não têm "interesse" na execução da reforma agrária no Rio Grande do Sul, referindo-se à Farsul e ao Sindicato Rural de Bagé. "Espero que a reforma agrária não venha a capitular para o latifúndio improdutivo", disse Barbosa
que é procurador de Justiça do Ministério Público Estadual.
Na opinião de Barbosa, a região foi escolhida pelos proprietários como um "laboratório" para verificar se seria possível "espalhar pelo resto do País" a resistência às vistorias do Incra e aos índices de lotação pecuária, o que afetaria todo o conceito de produtividade das propriedades rurais.
O ex-superintendente regional do Incra deverá prestar depoimento na Assembléia Legislativa gaúcha nos próximos dias sobre os motivos que levaram à sua destituição do cargo. "Fiz uma opção pela reforma agrária e é impossível servir a dois senhores ao mesmo tempo", disse.


