Toledo – Diretores do Hospital Bom Jesus, em Toledo (Oeste), serão ouvidos pela Polícia Civil na semana que vem para dar explicações sobre as mortes de dois idosos que ocorreram no estabelecimento de saúde. Segundo o Ministério Público, o hospital teria negado leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) a Alencar Rodrigues Chaves, de 65 anos, e Oldina Hugen Picker, de 76. Ambos morreram vítimas de parada cardiorrespiratória à espera das vagas.
O médico plantonista, de acordo com o MP, teria atribuído à direção do hospital a decisão de não utilizar os leitos de UTI. A principal suspeita é de que pendências administrativas existentes entre o hospital e o Estado do Paraná podem ter motivado a decisão. As informações do MP apontam que o hospital alegava não haver leitos na UTI diante do pedido por meio da Central de Regulação de Leitos. Porém, na manhã de segunda-feira, o promotor Giovani Ferri esteve no hospital e constatou que havia três vagas disponíveis.
O delegado chefe da 20ª Subdivisão Policial, Antônio Donizeti Botelho, instaurou inquérito para apurar o caso. Intimações já foram expedidas e os investigados e testemunhas serão ouvidos a partir de segunda-feira. Se comprovada a recusa no atendimento especializado, administradores e diretores clínicos do Hospital Bom Jesus poderão responder por homicídio.
Botelho informou que ainda não há um número de investigados definido e que as responsabilidades serão verificadas na sequência do inquérito. "Pela complexidade do caso e dependendo do número de pessoas envolvidas, as investigações devem extrapolar o prazo inicial dos 30 dias, mas espero concluir o mais breve possível", adiantou.

Revolta
Oldina Hugen Picker era moradora em Nova Santa Rosa, município a 55 quilômetros de Toledo. De acordo com a secretária municipal de Saúde, Marlice Fernandes, a paciente sofria de dupla pneumonia e estava internada na cidade havia três dias, mas uma piora no quadro exigiu a transferência para a unidade de referência, em Toledo, na madrugada de domingo. "Fizemos tudo o que pudemos e encaminhamos para a cidade vizinha, acreditando que ela teria um melhor atendimento lá. Se ficar comprovada a recusa de internação na UTI, os responsáveis têm de ser penalizados", declarou.
O viúvo Vandelino Picker, de 80 anos, disse confiar na Justiça. "Sou analfabeto e não entendo muito de leis, por sorte tenho um neto que cuida de mim. Com certeza ele vai poder ajudar melhor as autoridades." A sobrinha Valtrude Hugen disse que apesar do estado de saúde debilitado, a morte da tia surpreendeu a todos. "Foi muito triste, estamos muito abalados ainda e esperamos respostas", cobrou.
Na tarde de ontem, a assessoria do Hospital Bom Jesus informou que não comentaria o caso até o término das investigações. No entanto, em nota divulgada à imprensa no início da semana, garantiu que manteve o atendimento normalizado dos leitos de UTI.

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