Suspeitos de mortes estariam em Carajás
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de março de 1998
Agência Folha 
Dez dos onze policiais militares suspeitos de envolvimento na morte de dois líderes sem-terra em Parauapebas, sul do Pará, na última quinta-feira, participaram do massacre de Eldorado dos Carajás em 17 de abril de 1996, segundo o Ministério Público de Parauapebas.
O promotor de Justiça Godofredo Santos disse ontem que os policiais, do Batalhão de Parauapebas, foram identificados por testemunhas que estavam no local. O comando da Polícia Militar de Parauapebas prendeu dez dos policiais, sob a acusação de indisciplina. Eles teriam acompanhado, na quinta-feira, a retirada de sem-terra que estavam na fazenda Goiás 2 sem ter recebido ordem superior.
Segundo o secretário de Segurança Pública do Pará, Paulo Sette Câmara, os policiais estariam em folga naquele dia. O comando da corporação enviou os PMs ao quartel de Xinguara, a 200 km de Parauapebas, para evitar possíveis conflitos com os sem-terra. O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) acusa fazendeiros, funcionários da fazenda Goiás 2 e policiais pela morte dos líderes.
O procurador-geral de Defensoria Pública Italo de Almeida Mácula Jr. afirma que há muita semelhança entre os fatos ocorridos na última quinta-feira e a chacina dos 19 sem-terra em Eldorado do Carajás. É possível que haja um movimento clandestino orquestrado por fazendeiros para combater os sem-terra, disse.
As famílias que deixaram a Goiás 2 foram levadas, de caminhão, ao assentamento da fazenda Palmares, a 45 km da Goiás 2. Os corpos de Valentin Serra, o Doutor, e Onalício Araújo Barros, o Fusquinha, estão sendo levados a Parauapebas, onde serão enterrados.
O MST organiza uma manifestação na cidade com a presença de políticos no Estado. Segundo o movimento, os dois estavam entre os sobreviventes da chacina de Eldorado do Carajás. Até as 11h30 de anteontem, os corpos não haviam chegado.
Os delegados William Alexandre e Lauriston Goes pediram ontem à Justiça a prisão preventiva de supostos indiciados no caso, entre eles fazendeiros da região. Os nomes não foram revelados.


