Imagem ilustrativa da imagem Suspeitos de ligação com terror discutiam produção de bomba
| Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Detidos foram levados para presídio de segurança máxima em Campo Grande



São Paulo - Os suspeitos de associação com terrorismo presos durante a Operação Hashtag compartilhavam materiais que ensinavam a construir uma bomba e diziam que a Olimpíada do Rio era a oportunidade de chegar ao paraíso, de acordo com o procurador responsável pela investigação, Rafael Brum Miron.
"Todos eram bem agressivos e falavam a mesma coisa: 'Temos que matar infiéis, aproveitar a Olimpíada para irmos para o paraíso'. Também repassaram entre eles instruções e fórmulas para fazer bomba", disse o procurador à Folha de S.Paulo.
Nesta sexta (22), Valdir Pereira da Rocha, um dos dois suspeitos foragidos, se entregou na cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, no Mato Grosso, na fronteira com a Bolívia. Se juntará aos outros dez detidos no dia anterior levados para o presídio de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Com isso, resta apenas um foragido, Leonide El Kadre de Melo.

LOBOS SOLITÁRIOS
Segundo o procurador Rafael Brum Miron, em vários momentos os integrantes do grupo auto-intitulado Defensores da Sharia frisaram a necessidade de atuarem isoladamente, reforçando o perfil de lobos solitários.
Três deles chamam mais a atenção dos investigadores: Marco Mario Duarte, Alisson Luan de Oliveira e Leonid El Kadre Melo. O trio era o que mais propagandeava ações violentas em prol do Estado Islâmico nas redes sociais, segundo a investigação. Miron contou que o trabalho foi facilitado pela cooperação do FBI (polícia federal americana), que enviou ao Brasil os nomes que os integrantes do grupo usavam na internet. Outro elemento importante na operação é um e-mail anônimo, contendo diálogos dos suspeitos, que chegou às mãos da Polícia Federal.
Parte dos investigados também publicou em sites abertos informações sobre suas relações com o islamismo, entre elas um comunicado de que havia passado pelo chamado batismo virtual.
Questionado sobre como avaliou o fato de dois ministros (Justiça e Defesa) terem se referido aos suspeitos como "amadores", Miron não discorda, mas ressalta que isso não significa que não representassem ameaça. "Não existe suicida experiente. Ninguém será preso por 30 dias, se não oferecer risco. Quem é profissional disso (terrorismo)? Eles eram muito voluntaristas, diziam 'vamos fazer isso e aquilo".
O membro do Ministério Público ponderou, no entanto, que o grupo não possuía poder financeiro e, além disso, as investigações não mostram que eles estavam prontos a agir imediatamente. "Não temos ninguém comprando passagem para Rio, por exemplo. Nenhum deles era rico, não tinham recursos. Queriam viajar para a Síria e não tinham dinheiro", afirmou Miron.

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