Suspeitos de formar milícia rural acusam superior
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sexta-feira, 08 de abril de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Três policiais militares da reserva, presos por suposta participação em uma mílicia armada que atuava contra sem-terra, afirmaram, ontem, que foram contratados pelo tenente-coronel Valdir Copetti Neves. Ele também foi detido na última terça-feira, na operação da Polícia Federal (PF) batizada de Março Branco, sob a acusação de formação de quadrilha, tráfico internacional de armas e violação de direitos humanos.
Ricardo José Derbes, José Valdomiro Maciel e Nereu Pachoal Moreira falaram com a imprensa na sede da Superintendência da PF, antes mesmo de prestar depoimento ao delegado que preside o inquérito, Fernando Destito Francischini. Os três disseram que estavam trabalhando há pouco menos de seis meses, fazendo a segurança de 10 fazendas de Ponta Grossa, entre elas a de propriedade de Neves, e para isso recebiam a quantia de R$ 600,00 por mês. Os pagamentos seriam feitos pelos fazendeiros, em cotas repassadas ao Sindicato Rural de Ponta Grossa. A entidade já havia negado qualquer envolvimento com contratação de segurança armada.
Os PMs também foram unânimes em afirmar que o tenente-coronel Valdir Copetti Neves mandou que ameaçassem os sem-terra que ocupam parte da propriedade dele. Mas asseguraram que essas determinações nunca foram cumpridas. ''Ele (Neves) disse que a gente era bundão, covarde, que não prestava para trabalhar'', afirmou Maciel, ao relatar a reação de Neves ao saber da recusa dos policiais em intimidar os sem-terra.
Segundo Derbes, o tenente-coronel teria fornecido duas escopetas e uma espingarda para o trabalho de segurança. O policial da reserva disse desconhecer a existência das demais armas apreendidas pela PF.
O advogado Edson Stadler, constituído ontem para representar os três PMs da reserva, informou que irá ingressar com pedido de revogação da prisão preventiva na próxima segunda-feira. A argumentação é de que eles teriam mostrado interesse em colaborar com a Justiça. Os três estão detidos em uma unidade da PM em Curitiba.
O advogado de defesa de Neves, Cláudio Dalledone Júnior, disse que não iria manifestar, antes de conhecer, formalmente, o teor do depoimento dos PMs da reserva. Ele voltou a acusar a PF de induzir os réus a falarem. ''Não reconheço a forma como foi colhida essa pseudoprova'', afirmou.
O presidente da CPI das Armas, em Brasília, deputado federal Neucimar Fraga (PL-ES) apresentou requerimento, na última quarta-feira, para que Neves e um outro acusado, o ex-PM Adair João Sbardella, prestem esclarecimentos à Câmara sobre as acusações de tráfico internacional de armamento.


