Belo Horizonte, 06 (AE) - O presidente da Comissão Técnica de Leite da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg), Rodrigo Santanna Alvim, disse hoje que o processo sobre a prática de dumping na importação de leite deverá apresentar os primeiros resultados em fevereiro. O pedido de investigação quanto à prática de dumping foi protocolado em agosto na Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Indústria e Comércio contra a Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Austrália e países-membros da União Européia. Todos esses países tiveram de responder a um amplo questionário, antes que o governo brasileiro decidisse pela aplicação de direitos compensatórios sobre todos os produtos.
Segundo o presidente da Comissão de Leite da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Paulo Roberto Bernardes, o processo já conta com aproximadamente 18 mil páginas e a expectativa é de que o governo brasileiro defina até o fim de janeiro os valores das sobretaxas a serem aplicadas a partir de fevereiro. Conforme Bernardes a aplicação dos direitos compensatórios terá de ser feita rapidamente, já que o volume de importações de leite tem aumentado bastante e em pleno período da safra brasileira.
Conforme o presidente da Comissão de Leite da Faemg, Rodrigo SantAnna Alvim, o estímulo ao aumento da produção de leite no País em 2000 dependerá do ritmo de crescimento da economia brasileira. O Estado de Minas Gerais responde por 30% da produção nacional, com um volume entre 5,6 bilhões e 5,8 bilhões de litros/ano, seguido por Goiás, com aproximadamente 2 7 bilhões de litros/ano. A produção total do Brasil chega a um patamar entre 19 bilhões de litros e 20 bilhões de litros/ano.
Apesar do volume, Alvim revela que a produção ainda é insuficiente para abastecer o mercado interno, e cerca de 2 bilhões de litros/ano são importados, sendo que 60% deste total proveniente da Argentina. O presidente da Comissão de Leite da Faemg afirma que o volume de leite importado da Argentina, no entanto, depende da triangulação. Países produtores e que possuem subsídios à produção exportam produtos para a Argentina a preços compensadores, e o leite chega ao País a um preço menor que o produto brasileiro às grandes redes varejistas.
Alvim defende também um discussão maior entre os produtores e a indústria contra a rede varejista. Com o aumento da concentração do varejo nas mãos de grandes redes, a possibilidade de negociação de preços é cada vez menor. "Não podemos assistir a esta cartelização de braços cruzados", diz.
Alvim disse também que as pequenas cooperativas de produtores rurais teriam de iniciar um processo de fusão, colocação de tanques comunitários e buscar a modernização da coleta de leite o mais rapidamente possível. De acordo com ele, as pequenas cooperativas não terão como competir com as grandes indústrias, que possuem margens menores de usinagem. Por esse mecanismo, o leite é coletado e resfriado nas próprias fazendas e transportado à indústria em caminhões-tanque ao invés de tambores. De acordo com Alvim, o custo para a compra de refrigeradores poderia ser dividido entre os próprios produtores. "As cooperativas que não perceberem a importância da modernização da produção acabarão perdendo a finalidade e não terão como competir". Alvim citou o caso de cooperativas de leite dos Estados Unidos e Nova Zelândia, cujo número está se reduzindo a cada ano que passa.