Guaíra- Três pessoas suspeitas de participar da chacina que deixou 15 mortos e outros quatro feridos, no início da tarde de segunda-feira numa propriedade rural em Guaíra, tiveram a prisão decretada. Cerca de 200 policiais civis, militares, rodoviários e federais da cidade e da região, contam com o apoio da polícia paraguaia que passou o dia todo de ontem em busca dos criminosos. A chacina teria sido motivada pela vingança da morte do membro de uma gangue de traficantes morto há cerca de uma semana, além de uma suposta dívida de R$ 4 mil.
Os criminosos executaram as vítimas por volta das 13h30, mais de três horas depois de manter algumas delas sob ameaça. Pelo menos três tipos de cartuchos, como de pistola 9 milímetros, 12 e revólver calibre 38, foram encontrados por policiais no local, uma chácara que fica na Vila Santa Clara, a cerca de três quilômetros do Rio Paraná.
A propriedade rural era tida pela polícia local como um ''ponto de comercialização de drogas'' e pertencia a Jossimar Marques Soares, o ''Polaco'', que já tinha passagem pela polícia por tráfico de drogas. Segundo o delegado de Guaíra, Pedro Lucena, Polaco teria mandado matar Dirceu de Souza Pereira, um traficante rival que teria desviado uma carga, além de manter uma dívida de R$ 4 mil com o grupo.
Por conta disso, três criminosos denominados pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp) como Jair Correa, 52 anos, Gleisson Correia, 21 e Ademar Luz, 27, teriam ido até a casa de Polaco para vingar a morte de Dirceu.
Os criminosos teriam chegado encapuzados no local por volta das 8 horas, de barco, vindos do Paraguai e renderam as pessoas que estavam na residência. Em seguida, obrigaram Polaco a ligar para Manoel Pascoal da Silva, apelidado de ''Nel'', e que seria o autor da morte de Dirceu. Enquanto aguardavam a chegada de Nel, todas as pessoas, entre vizinhos e familiares de Polaco que iam chegando na residência, iam sendo executadas. Sete pessoas foram encontradas dentro de um galpão, duas dentro da casa, três próximas ao galpão e outras nas proximidades do Rio Paraná.
A maioria foi executada com tiros na região da cabeça, outros quatro conseguiram ser socorridos e continuam internados em hospitais da região.
Familiares de Polaco estiveram ontem à tarde na casa. A filha dele, Eliane Cristina Vanderlei, 24 anos, disse que o pai trabalhava como ''roleiro'' de veículos usados. ''A gente viu em um monte de jornal aí falando que todo mundo era traficante ou usuários de drogas, mas não tinha nada a ver. Minha irmã tinha só 20 anos e estava grávida, meu irmão ajudava meu pai aqui e até o pedreiro que estava reformando a casa aqui acabou sendo morto'', disse.
O interior da casa estava todo revirado. Dois papagaios e um filhote de cachorro foram encontrados mortos.
Vizinhos que acompanhavam o trabalho da polícia ontem estavam temerosos em comentar o fato. A maioria garante que o local era usado como ponto de encontro entre traficantes e que servia também como rota de entrada de mercadorias oriundas do Paraguai, como drogas, cigarros e até armas.
''Tem um monte de gente aí que fala que é pescador para disfarçar, mas na verdade é tudo gente que trabalha com o tráfico. A gente tem que fazer que não vê para poder se manter vivo'', comentou um morador da região que preferiu não se identificar.

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