CAMP ZEIST, Holanda, 05 (AE-REUTERS) - Dois líbios acusados da autoria do atentado à bomba contra um avião da companhia americana Pan Am, que caiu sobre a localidade escocesa de Lockerbie em 1988, foram entregues nesta segunda-feira (05) pelo governo da Líbia à Holanda, pondo fim a sete anos de sanções econômicas impostas pelas Nações Unidas ao regime de Trípoli.
Abdel Basset al-Megrahi e Al-Amin Khalifa Fahima, dois supostos agentes do serviço de espionagem líbio, chegaram à base aérea de Valkenburg, perto de Haia, acompanhados de um representante da ONU, Hans Corell.
Eles serão julgados sob leis escocesas por um tribunal instalado na desativada base militar americana de Camp Zeist, a 50 quilômetros de Amsterdã. Poucas horas depois da chegada à Holanda, os dois líbios foram levados de helicóptero para o local do julgamento, que pode começar dentro de alguns dias, obedecendo os trâmites legais escoceses.
Como a base foi transformada em território sob a jurisdição diplomática da Grã-Bretanha, os dois acusados tiveram de ser formalmente extraditados pelo governo holandês antes de chegarem a Camp Zeist.
O acordo para a entrega dos acusados, cuja extradição tinha sido solicitada por Estados Unidos e Grã-Bretanha, só foi possível porque o presidente norte-americano, Bill Clinton, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, deram luz verde a dois mediadores - o presidente sul-africano, Nelson Mandela, e o rei Fahd, da Arábia Saudita - para negociar com o líder líbio, Muamar Kadafi.
O homem forte do regime líbio, que argumentava que seus dois cidadãos não teriam um julgamento justo nos EUA ou na Grã-Bretanha, acabou concordando em entregar os suspeitos para que fossem julgados em um terceiro país sob a legislação escocesa.
"Tenho o prazer de informar que hoje, 5 de abril, chegaram a salvo na Holanda, a bordo de um avião da ONU, dois cidadãos líbios acusados de atentado à bomba", dizia uma carta enviada ao Conselho de Segurança, imediatamente após o desembarque dos líbios, pelo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan.
O fim das sanções, impostas em 1992, permitirá o retorno dos vôos internacionais de aviões líbios e a compra, por parte do governo de Kadafi, de equipamento para a extração de petróleo.
"Enfim, o caminho da Justiça começou", disse Clinton, numa declaração à imprensa na Casa Branca. Ele ressaltou, porém, que os Estados Unidos não levantarão completamente as sanções contra a Líbia enquanto não forem resolvidos alguns pontos ainda pendentes, como as indenizações a ser pagas às famílias das vítimas.

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