Policiais civis e militares apresentaram nesta quarta-feira (14) dois homens que foram presos na ocupação Flores do Campo, zona norte de Londrina. Segundo a polícia, todos os homens, inclusive o que morreu após ser baleado por policiais durante abordagem na ocupação nesta terça (13), tinham envolvimento com roubo e tráfico de drogas.

Imagem ilustrativa da imagem Suspeitos de associação criminosa e roubo no Flores do Campo são presos
| Foto: Isabela Fleischmann/Grupo Folha

Foi preso um homem de 43 anos que estaria envolvido no roubo à residência de um policial da reserva no Jardim Pacaembu, na zona norte, e outro de 27 anos, que já tinha mandado de prisão expedido pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em operação deflagrada na semana passada contra o núcleo financeiro do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Ele negou o envolvimento com a associação criminosa, mas, segundo a Polícia Civil, o suspeito faria lavagem de dinheiro para a facção e não teria sido encontrado durante o cumprimento dos mandados na terça-feira (6). De acordo com o delegado de furtos e roubos de Londrina, Antônio Silvio Cardoso, as investigações sobre tráfico de drogas também serão aprofundadas, já que ele teria passagens por outros crimes em Santa Catarina. Além do processo do Gaeco, ele foi preso por um roubo em Cambé.

Já o homem de 43 anos passou 15 anos em regime fechado em Curitiba e foi solto na semana passada. Segundo a polícia, ele responde por três homicídios dentro do sistema penitenciário e estaria envolvido com roubo. Com ele estava a arma roubada do sargento aposentado, que foi recuperada. O suspeito já foi indiciado por roubo, tráfico de drogas e associação criminosa dentro da cadeia. Segundo os policiais, esposa dele morava no Flores do Campo.

Na madrugada desta quarta-feira (14), um homem foi baleado na ocupação. Segundo a polícia, tratou-se de uma discussão entre os moradores. Com os homens foram apreendidas uma arma, munições e balaclavas. “Um deles já havia sido identificado pelo sargento. Nesta terça-feira (13) tivemos a informação de que eles estariam no Flores do Campo e os policiais foram até o local. Sempre envolve algum problema diligências realizadas neste local, então pedimos apoio aos policiais da 4ª Companhia e eles foram até o local”, contou Cardoso. Durante a abordagem policial, dois homens fugiram e um, de 27 anos, permaneceu na casa utilizada para armazenar drogas. “Ele ficou na casa, não atendeu a ordem dos policiais e para evitar um confronto acabou [o policial] atingindo esse indivíduo, que veio a óbito”.

De acordo com a polícia, o suspeito também teria participado do roubo à casa do sargento. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) busca informações da morte por contato direto com os policiais. Após a abordagem na terça-feira, a Comissão de Direitos Humanos da ordem foi até a ocupação e tomou depoimentos da comunidade. “Averiguamos locais que a comunidade apontou como sendo locais em que ocorreram violência policial, inclusive a morte de ontem. Há muitas divergências nos relatos, o que nos preocupa bastante”, disse o vice-presidente da comissão, Rafael Colli. “Estamos em um momento em que a população clama por mais segurança, mais isso não pode ser feito de modo desenfreado, sem respeitar os direitos mais básicos das pessoas.”

Atualmente 150 famílias vivem no Flores do Campo. No residencial, que é um empreendimento inacabado do programa Minha Casa, Minha Vida, vivem 150 famílias. O prazo da Justiça para desocupação do Flores do Campo por essas famílias já se esgotou.

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, juntamente da Diretoria da OAB está buscando um primeiro contato com o Comando da PM e com o Ministério Público. Segundo Colli, somente se esse contato não for satisfatório a ordem oficiará o Batalhão, a Corregedoria e demais órgãos da Polícia Militar.

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