Suspeito renuncia à candidatura
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terça-feira, 22 de setembro de 1998
Agência Estado 
O vereador de Teresina, Djalma Filho (PPS), anunciou que irá renunciar à candidatura a deputado estadual do Piauí. Ele é suspeito de ser o mandante ou de estar envolvido no assassinato do seu colega de partido, o jornalista e postulante à Câmara dos Deputados, Donizette Adalto de Araújo (PPS), morto na sexta-feira após um comício.
O vereador, em seu depoimento de anteontem, alegou inocência, dizendo estar sendo vítima de uma máfia e que não tinha motivos nem coragem para cometer o crime. Segundo a Polícia Federal, Djalma foi acusado de participar da execução por militantes de sua campanha, já presos sob a acusação de cometer o crime. O depoimento do secretário-geral do PPS local, Francisco Brito Filho, também suspeito em envolvimento, aumentou a desconfiança dos policiais sobre o suposto envolvimento do vereador.
Donizette era apontado como possível campeão de votos no Piauí nestas eleições. A confirmação do envolvimento de Djalma Filho no caso poderá ter repercussão na campanha do governador e candidato à reeleição Francisco de Assis Mão Santa (PMDB), pois o parlamentar é sobrinho e ex-chefe de gabinete do secretário de Segurança Pública, Juarez Tapety. Djalma acompanhava Donizette quando houve a emboscada, mas sua história tinha, segundo policiais, algumas contradições, que começaram a ser checadas por agentes civis e federais.
Dois inquéritos (um na Polícia Civil e outro na Polícia Federal) investigam o caso. Inicialmente, foi checada a versão de Djalma: o crime teria sido cometido por cinco homens, que estavam em um Ômega e uma motocicleta, e teriam interceptado o Fiat Tipo em que o parlamentar viajava com Donizette. No sábado, porém, foi achada uma Kombi da campanha do jornalista e de Djalma, abandonada e com as portas abertas. O delegado Carlos Queirós, da Polícia Civil, suspeitou que o veículo podia ter sido usado no crime e o apreendeu. Seu motorista, Fabrício de Jesus Costa Lima, foi preso. Os demais presos são Francisco Mendes da Silva, Sérgio Silva e Francisco Brito Filho.
Segundo os policiais, Fabrício confessou o crime e delatou outros três homens. Todos foram detidos e tiveram suas prisões provisórias decretadas ontem pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Teresina, Orlando Pinheiro. Brito Filho mudou no inquérito da Polícia Federal a versão que apresentara na investigação da Polícia Civil. Ele viajava em uma camionete Pampa, que ia atrás do carro em que estavam Donizette e Djalma, e testemunhou o crime. Inicialmente, dizia ter visto o Ômega e a motocicleta, mas ontem teria declarado que vira uma Kombi.
Um dos pontos sob investigação era uma reunião ocorrida antes do crime na casa do presidente do PPS local e candidato a senador, Acilino Ribeiro, com Djalma e Donizette. O motivo do encontro seria discutir as últimas participações da legenda no horário eleitoral gratuito na televisão. Até o fim da tarde de ontem, os policiais ainda não tinham revelado o que poderia ter sido a causa o crime.


