Suspeito ferido por disparo que matou empresário é apresentado
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sexta-feira, 28 de setembro de 2018
Simoni Saris <br> Reportagem local 

PA Polícia Civil apresentou nesta sexta-feira (28) o terceiro suspeito de participação do latrocínio contra o empresário Rafael Martins, 48, morto no último dia 19, na zona sul de Londrina. Lucas Oliveira de Souza, 18, foi preso na tarde de quinta-feira (27), na rodoviária de Apucarana (Centro-Norte), onde pretendia pegar um ônibus para outra cidade. Durante a apresentação, na 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Souza confessou o crime e deu detalhes daquela noite. Ele se diz arrependido e inocentou Mateus Farias Alves da Silva, 24, preso na semana passada depois de ser reconhecido pela viúva do empresário.
Souza apresenta dois ferimentos na face, um sobre o lábio e outro no maxilar, e um na perna direita, resultado de um tiro de raspão que levou dos policiais na quinta-feira, no momento da prisão. Segundo ele, os ferimentos na face foram provocados pelo mesmo projétil que atingiu o empresário. "Eu estava do lado do passageiro, falando para a mulher dele (Martins) sair do carro e o outro (um menor de 17 anos) rendeu o motorista. Eu não vi o tiro, mas ouvi o barulho e senti o sangue escorrer no meu rosto. Coloquei a camiseta para estancar o sangue e corremos. A bala entrou e saiu. Achei que eu iria morrer, nunca tinha levado um tiro", contou.
O suspeito disse não ter procurado atendimento médico porque sabia que no hospital teria que explicar o ferimento por arma de fogo e poderia ser preso. Preferiu ir para a casa de amigos e tomar anti-inflamatórios por conta própria.
"Estranhei a atitude dele (o responsável pelo disparo), mas foi legítima defesa porque ele achou que a vítima estava armada e iria levar um tiro. Mas se o cara estivesse armado (empresário), eu iria pular nele, dar uma coronhada e tirar a arma dele. (O disparo) foi uma coisa que não teria acontecido, mas aconteceu e não dá para voltar atrás", contou Souza.
O suspeito disse que na noite do crime ele e outros dois colegas saíram para roubar um carro. Quando viram o veículo "de alto padrão" do empresário parado na esquina, combinaram de esperar o carro chegar a um determinado ponto para fazer a abordagem, mas o motorista do veículo em que estavam parou antes do combinado. "Ele jogou o carro (em cima do carro do empresário) na esquina mesmo. Durou 15 segundos toda a ação", relatou. "Não precisava ter acontecido. Não precisava tirar a vida dele (empresário). Podia dar um tapa na orelha dele."
Souza disse estar arrependido de ter participado do crime que resultou na morte do empresário porque deve ficar preso por um longo período e por saber que os filhos de Martins vão ficar sem pai. "Não tinha necessidade de tirar a vida do cara. Imagina como vai ser a vida das crianças. Não tenho pai desde os três anos de idade, não tive afeto", declarou. "Agora vou ficar dez, 15 anos preso, vai dar um BO (Boletim de Ocorrência) grande isso. Estou totalmente arrependido de ter ido, de ter me envolvido e pegar o tempo de cadeia por uma coisa que não era para ter feito. Eu podia estar estudando, fazendo minhas coisas, estar com a minha namorada."
Em sua declaração, Souza também inocentou Mateus Farias Alves da Silva, 24, preso na semana passada por suspeita de participação no latrocínio juntamente com Martiliano Bispo Pereira, 19. Silva foi reconhecido pela viúva do empresário como o motorista do veículo no qual estavam os assaltantes, mas Souza garante que ele não atuou no crime. "O Mateus é inocente. Foi preso porque o carro que foi usado pela gente estava na frente da casa dele. Mas ele é trabalhador, estuda, não usa drogas."
Silva e Pereira estão presos preventivamente no 4º Distrito Policial de Londrina e o advogado que os representa, Leonardo Martins Félix, disse que aguarda comunicação do juiz da 4ª Vara Criminal de Londrina sobre o pedido de habeas corpus que tramita no Tribunal de Justiça do Paraná para que seja revogada a prisão de Silva. "Fica claro que a relação do Mateus no envolvimento do crime não foi nenhuma. É inconteste tanto pelo depoimento do Martiliano quanto pelo depoimento do Lucas."
Felix reforçou que além da afirmação de Silva de que é inocente, testemunhas ouvidas na segunda-feira (24) corroboraram a afirmação dele em interrogatório, na semana passada. "No dia do crime, ele esteve das 17 às 21 horas em companhia de dois amigos em sua residência, tem conversa no Whatsapp que comprova que ele não participou do crime e as evidências ficam claras, ainda mais com o interrogatório dos outros acusados."
Para o delegado responsável pelo caso, João Batista Reis, a inocência não é tão evidente. "A mulher da vítima reconheceu o Mateus como sendo a pessoa que estava dirigindo o veículo e dou credibilidade à palavra da vítima", disse.
Reis destacou que após a suspeita de participação de Silva no latrocínio, ele foi reconhecido pela participação em um roubo praticado no meio do ano passado. Neste crime, Silva e um comparsa teriam roubado duas armas, um revólver calibre 32 e uma pistola Glock 380. "Eu queria tentar achar o projétil do latrocínio para tentar fazer um confronto de balística e verificar se a arma que o Mateus roubou no ano passado foi a mesma usada na morte do empresário, porém, como o tiro transfixou a cabeça do Rafael e atingiu o Lucas, esse projétil se perdeu."
A Polícia Civil ainda aguarda a conclusão dos laudos de perícia papiloscópica e outros laudos referentes ao latrocínio, mas o inquérito já foi concluído e remetido ao Fórum. Os três presos até agora irão responder pelos crimes de latrocínio e corrupção de menores. "Agora cabe ao Ministério Público e ao juiz se manifestarem e, se for solicitada nova diligência, será realizada."
Além dos três adultos, a polícia tenta apreender o adolescente de 17 anos que seria autor do disparo que matou o empresário. Existe um mandado de apreensão contra ele, mas está foragido.


