Rio, 10 (AE) - Agentes da Polícia Federal (PF) esperam ouvir, a qualquer momento, o depoimento do ex-funcionário da Telerj Walter Braga, suspeito de ter sido a pessoa que colocou o grampo nos aparelhos da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os agentes do órgão já têm em maõs um mandado de condução coercitiva. A PF diz já ter uma pista segura de sua localização e, assim que for encontrado, ele será levado a depor.
Braga é considerado na comunidade de informações um especialista em escuta clandestina. Segundo fontes ligadas à investigação, o ex-técnico da Telerj sempre trabalhou em associação com o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência Temílson de Resende, o Telmo. O agente seria o cabeça do grupo que fez o grampo e exerceria a função de fazer contatos políticos e análises das informações. Braga ficaria com a parte operacional - subindo em postes telefônicos e abrindo as caixas de telefone para fazer grampos. O ex-técnico, no entanto, está desaparecido há meses.
De início, ele era dado como morto, mas informações recentes recebidas pela PF apontam que ele está vivo e escondido. A polícia espera que, ao encontrá-lo, ele revele como foi feito o grampo e quem o contratou. Braga está sumido, na verdade, desde antes de a história do grampo no BNDES estourar na imprensa. Ele trabalhava na Telerj até o ano passado, quando foi flagrado retirando um extrato telefônico (informação sigilosa) para um "cliente" em uma das estações da empresa, no Leme, na zona sul. Foi demitido por justa causa e desapareceu.
Nas investigações sobre ele, apurou-se que fazia trabalhos para a Polícia Civil - e há informações de que grampeava traficantes que depois eram extorquidos por policiais. Especula-se que ele tenha desaparecido por ter sido ameaçado após sua demissão. Seu nome também sumiu dos arquivos da antiga Telerj. Para a polícia, Braga trabalhou com um parceiro porque o grampo no BNDES é o tipo de serviço feito em dupla - um no poste e outro na caixa do telefone, no prédio do banco.
A polícia chegou a investigar como co-autor do grampo o técnico de telefonia Francisco Carlos da Silva, conhecido como Papinha, que trabalha na Central Tiradentes da Telemar. Em seu depoimento à polícia, no último dia 17, Papinha negou que tenha participado do grampo. "Ele nunca soube nada desse assunto, jamais entrou no prédio do BNDES", garantiu hoje seu advogado, Benedito Ultra Abicair.

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