PEORIA, Illinois, 05 (AE-AP) - O líder da Igreja Mundial do Criador disse que a retórica de ódio racial de seu grupo não poderia ser a motivação para a onda de crimes de um ex-membro.
Estilizada como um religião, a Igreja do Criador é administrada pelo aspirante a advogado Matt Hale desde a casa de seus pais numa vizinhança de classe média de East Peoria.
Numa entrevista por telefone à Associated Press de seu escritório - uma sala onde uma bandeira de Israel serve como capacho e suásticas adornam as paredes - Hale insistiu que os membros de sua igreja obedecem a lei.
"Eu tenho sempre encorajado nossos membros a agir dentro da legalidade. Eu certamente nunca encorajei a violência", disse Hale. "As pessoas têm seu livre arbítrio. Elas fazem o que querem".
No domingo, a polícia informou que Benjamin Nathaniel Smith, suspeito da morte de dois homens durante uma onda de disparos contra membros de minorias em dois estados, se suicidou com um tiro.
Smith, 21 anos, era um estudante de direito criminal da Universidade de Indiana quando pagou US$ 35 em taxas para tornar-se um membro da igreja de junho de 1998 a maio de 1999. Smith não renovou sua filiação, mas o endereço de seu dormitório ainda está listado como um contato em Indiana na Web site do grupo de ódio.
Cartas e outras literaturas da igreja defendem uma guerra santa racial branca contra "raças lamacentas", negros e judeus por uma nova expansão da raça branca. A maior parte da literatura do grupo também inclui avisos de que a violência não é condenada.
Hale disse que acusar sua igreja pelos disparos "é o mesmo que acusar o papa de estar por trás de todas as bombas contra clínicas de aborto".
A polícia e a Liga Antidefamação (ADL), entretanto, têm vinculado a igreja à violência. Integrantes da igreja foram condenados por ter espancado até à morte um marujo negro e estão sendo investigados por conspiração para bombardear instituições gays, negras e judaicas na Costa Ocidental dos EUA
"Partes da literatura de ódio e chamadas por ação no Web site deles traça uma linha bem tênue entre apenas discurso ignorante e o incitamento a ações danosas, a conduta violenta", disse John Fernandez, prefeito de Bloomington, Indiana, que foi informado sobre Smith e a igreja pelo FBI.
Para Harlan Loeb, conselheiro da ADL, a Igreja Mundial do Criador refere-se a "racismo gutural e intolerância". Não existe prédio da igreja, presença física além do Web site de Hale e seu escritório caseiro.
Fundada em 1973 por Ben Klassen, um ex-deputado estadual da Flória nascido na Ucrânia e criado no Canadá, a igreja atraiu neonazistas e skinheads.
Depois que membros da igreja foram condenados pelo assassinato do marujo negro na Flória - levando a família da vítima a entrar com um processo exigindo indenização de US$ 1 milhão da igreja - Klassen desfez-se de propriedades do grupo e tomou quatro vidros de pílulas para dormir, se matando em 1973.
Apesar de acéfala e moribunda desde a morte de Klassen, a organização passou por uma revitalização desde que Hale foi eleito Pontifex Maximus - um título da Roma antiga que significa "líder supremo" - num rancho de Montana.
Hale, 27 anos, atraiu a atenção dos Estados Unidos no começo deste ano quando contratou o famoso advogado judeu Alan Dershowitz numa tentativa de ganhar sua licença de adovogado. Por duas vezes desde então Hale foi considerado incapaz por um painel estadual para tornar-se advogado em Illinois.
Um violonista formado em música, ciência política e direito, Hale está participando de um esforço de recrutamento. Ele estabeleceu filiais regionais em Montana, Califórnia e Flórida e garante ter mais de 3.000 membros em todo o país, um número difícil de se provar.
Numa relatório especial sobre a organização, a Liga Antidefamação classificou o reaparecimento do grupo de Klassen sob a liderança de Hale como "um desdobramento perturbante".
"Enquanto o recém-ressurrecto COTC pode ser pequeno em número, a organização está compensando com uma agressiva inundação de correspondências e um esforço de recrutamento", afirma o relatório.

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