Suspeito de matar traficante é indiciado
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quarta-feira, 30 de julho de 2003
Roberta Pennafort<br> Agência Estado 
Rio - A polícia indiciou ontem o traficante Luiz Guilherme Soares de Araújo pela morte de Márcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP, encontrado morto por axfixia mecânica, na segunda-feira, dentro do presídio Bangu 3, na zona oeste do Rio. Ele estava numa cela vizinha à que abrigava Marcinho e apareceu um dia depois do crime com três costelas quebradas o que pode ter sido resultado de uma possível briga com VP.
O delegado Nerval Goulart disse que Araújo é o principal suspeito por não ter conseguido explicar as fraturas. Ao depor, ele caiu em contradição: ora disse que havia se machucado numa partida de futebol na segunda-feira, ora alegou que a lesão tinha sete anos e agora a dor reapareceu.
''Um preso confirmou que ele quebrou as costelas numa briga, mas não disse com quem foi. E todos negaram que ele tenha se machucado durante o futebol'', contou Goulart, que passou o dia de ontem no presídio tomando depoimentos. Para ele, pelo menos outros quatro detentos teriam ajudado a matar o traficante.
Goulart informou que Araújo, de 35 anos, é um traficante de Comendador Soares, na Baixada Fluminense, que não é importante na hierarquia do Comando Vermelho, facção criminosa de Marcinho VP. Ele está preso há seis anos por tráfico e já havia cumprido pena por assalto.
O delegado acredita que dois fatores tenham motivado o crime: o fato de Marcinho ter revelado segredos do tráfico no livro ''Abusado'', do jornalista Caco Barcellos, e sua postura arrogante na cadeia. Ele crê ainda que o enfraquecimento de Marcinho dentro da facção foi um facilitador para o crime.
O secretário de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro, Astério Pereira dos Santos, relatou que Araújo procurou o diretor de Bangu 3, Abel da Silva, na noite de terça-feira, reclamando de fortes dores pelo corpo.
''Tudo leva a crer que tenha sido ele. Se ele sofreu uma fratura e só foi reclamar no outro dia, é porque estava escondendo alguma coisa.'' A suspeita é de que Araújo tenha atacado Marcinho VP na hora do almoço, quando as celas são abertas.
Marcinho teria reagido e provocado as fraturas segundo o delegado. VP foi estrangulado e encontrado numa lata de lixo por agentes penitenciários mais de quatro horas depois de morto. O diretor de Bangu 3 disse não ter conhecimento de desentendimentos anteriores entre Araújo e o traficante morto.
Além do preso, existem dois traficantes que podem ter sido mandantes do crime, segundo a polícia: Isaías Rodrigues, o Isaías do Borel, e Marcio Nepomuceno, também conhecido Marcinho VP.
Ambos são lideranças do Comando Vermelho. Para o delegado, Ronaldo Pinto Lima e Silva, que até anteontem está no topo da lista dos suspeitos, nada tem a ver com o caso.


