RIO, 18 (AE) - Um dos principais suspeitos de ter colocado o grampo na presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson Antonio Barreto de Resende, o Telmo, está com prisão preventiva decretada desde a noite de quinta-feira pela 2ª Vara Criminal da Justiça Federal do Rio. No entanto, ele foi avisado na madrugada de sexta-feira da ordem de prisão e não foi localizado pela Polícia Federal. A prisão foi pedida pelo delegado federal Rubens Grandini, encarregado do caso, a partir do depoimento de outro suspeito, o ex-policial federal Célio Arêas da Rocha, que apontou Telmo e o detetive particular Adilson Alcântara Machado como os autores do grampo. Segundo Rocha, um terceiro personagem, ainda não identificado pela polícia e conhecido apenas como major Barros, teria participado da escuta e seria sócio de uma empresa de segurança. O depoimento, na presença da juíza da 2ª Vara Criminal, Cláudia Valério, durou cinco horas e foi prestado na quinta-feira passada.
Tratou-se de uma produção antecipada de provas - ou seja
quando uma testemunha pede para depor em juízo antes do encerramento do inquérito, por motivos que podem ser desde problemas de saúde até os de segurança.
No caso de Rocha, ele alegou estar sendo ameaçado de morte por Telmo, com quem trabalha fazendo escutas clandestinas, por saber demais sobre o caso. FITAS - O ex-policial, no entanto, negou ter participado do grampo.
Ele contou que foi chamado por Telmo para ter a função de apenas levar e trazer as fitas ao banco - mas estranhou a alta soma oferecida: R$ 100 mil. Segundo fontes da Polícia Federal, Rocha disse não ter achado o serviço seguro - ele foi afastado da PF a bem do serviço público, tem uma condenação na Justiça e, por isso, recusou.
Rocha não apontou nomes de mandantes da escuta, mas afirmou que houve a conivência de funcionários do BNDES ligados à extinta área de informações que o banco, como toda estatal, mantinha durante o regime militar. Ele disse ainda que Telmo tem várias outras fitas, não divulgadas até hoje. O ex-policial está sendo protegido pela PF, dentro do Serviço de Proteção à Testemunha, e vai negociar o perdão judicial, graças a seu testemunho.
O advogado de Telmo, Carlos Kenigsberg, garantiu que seu cliente vai se apresentar à Justiça. "Tentei ver a ordem de prisão mas não consegui", contou. "Mas, assim que tiver na mão a decretação, vou apresentá-lo, porque ele não está evadido". Kenigsberg disse que Rocha não é uma testemunha qualificada.

mockup