Suspeito de furto ao BC torturado antes de morrer
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sexta-feira, 21 de outubro de 2005
Folhapress 
São Paulo - O traficante Luís Fernando Ribeiro, de 26 anos, o Fernandinho, suspeito de participar do furto de R$ 164,8 milhões do Banco Central de Fortaleza (CE), em agosto deste ano, foi espancado antes de ser morto. Para a polícia, as marcas de tortura indicam que Fernandinho estava sendo obrigado a informar aos sequestradores onde estava sua parte no furto.
O suspeito foi sequestrado no último dia 8 deste mês quando descia de sua Montana blindada na porta da boate Happy News, na rua dos Pinheiros, zona oeste de São Paulo. De acordo com o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), os sequestradores se identificaram como policiais federais e carregaram Fernandinho até outro carro.
''Durante a fase de negociações do resgate, ele foi forçado a dizer onde estava toda sua parte do dinheiro. As marcas de espancamento também são indício disso'', afirma o delegado Ruy Ferraz Fortes. Segundo a Polícia Federal, Fernandinho teria ficado com R$ 25 milhões.
O corpo do suspeito foi encontrado no dia 9 em um sítio em Camanducaia (MG) com pelo menos quatro tiros na cabeça e em outras partes do corpo. A família do suspeito reconheceu o cadáver no Instituto Médico Legal (IML).
Ainda na madrugada do dia 9, um advogado de Fernandinho entregou R$ 2 milhões aos sequestradores. O pagamento ocorreu em um posto de gasolina no km 12 da rodovia Raposo Tavares (zona oeste de São Paulo). O dinheiro - que estava dentro de um saco - foi retirado por dois sequestradores do Audi do advogado e colocado em outro carro da mesma marca, pertencente aos criminosos. Segundo o delegado Fortes, o volume era tão grande que precisou ser carregado por dois homens.
Fortes nega que o dinheiro tenha sido dado para o advogado pela família de Fernandinho. O delegado acredita que comparsas do suspeito tenham fornecido o dinheiro para ser dado aos sequestradores.
O delegado nega o envolvimento de policiais do Deic no caso. Todos os policiais teriam sido submetidos a reconhecimento fotográfico, no próprio Deic, pelas testemunhas. Uma das possibilidades investigadas pelo delegado é de que o crime tenha sido cometido por membros da própria quadrilha que furtou o BC descontentes com a divisão do dinheiro. Segundo o delegado, há indícios de que os sequestradores de Fernandinho sejam de Minas Gerais.


